sexta-feira, 3 de maio de 2019

O Futuro do Trabalho – Final


Esse post é a continuação do artigo “O Futuro do Trabalho – Parte 2”. 
O ensaio de 1986 de Robert FulghumTudo o que realmente vale a pena saber, eu aprendi no jardim de infância” hoje soa mais verdadeiro do que nunca. 

Antes de aprendermos o alfabeto, fomos encorajados a tratar os outros com justiça e generosidade, a usar nossa imaginação e agir de acordo com nossa curiosidade, para cuidar de nós mesmos e do ambiente ao nosso redor, expressar arrependimento e demonstrar gratidão.

Em quase toda parte, as crianças aprendem as mesmas lições. Este conselho denota as qualidades humanas mais inimitáveis e destaca aquelas que serão mais valiosas quando as máquinas aprenderem a fazer todas as coisas imitáveis.

As crianças pequenas aprendem fazendo multitarefas em microexperimentos sem pressão para atingir o padrão de sucesso de qualquer pessoa - até que os padrões sejam impostos a elas. As pessoas mais criativas da história mantiveram sua curiosidade e individualidade e continuaram a experimentar por toda a vida. Na aproximação da economia do conhecimento, o sucesso exigirá essa habilidade de conectar ideias diferentes e pensar fora da caixa, aproveitando tanto a Internet atual quanto as novas superpotências que as máquinas nos fornecerão, que são exponencialmente mais do que qualquer geração anterior poderia desfrutar.

No entanto, estamos muito longe do dia em que as máquinas podem ter empatia genuína. Tomando emprestada uma citação atemporal de Teddy Roosevelt, "ninguém se importa com o quanto você sabe até que saiba o quanto se importa". Considere a situação em que as máquinas podem fornecer um ótimo diagnóstico médico, mas será necessário empatia humana para ajudar a explicar tudo isso. Na verdade, em muitas áreas em que se espera que as máquinas compartilhem recomendações, uma grande classe de trabalhos (sem necessidade de experiência em STEM) está sendo criada para treinar máquinas para parecer um pouco mais compreensivas (ou “humanas”). 

Há muitas oportunidades fora do STEM, e todos ainda devem procurar áreas que se ajustem aos seus interesses e pontos fortes. 

O potencial combinado com talento e paixão pode alcançar grandes feitos. Talvez haja menos necessidade de educação STEM pura do que o pensamento atual sugere e os empregadores continuarão investindo em campos de treinamento e outros programas de aprendizado para desenvolver talentos em casa. 

Mesmo mais tarde na carreira, ainda pode haver oportunidade de iniciar e aprender coisas novas. O mais importante é o investimento contínuo de cada indivíduo no aprendizado e até a própria capacidade de aprender e mudar. 


A demanda crescente da sociedade por uma autêntica liderança servidora pode ser algo que recompense mais para a carreira quando se considera que a IA terá o monopólio da especialização em muitas profissões. Alguns dos primeiros itens do Credo de Fulghum expõem a raridade da verdadeira liderança servidora: compartilhe tudo, jogue limpo e limpe sua própria bagunça.
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Fonte: “The Future of Work – Rethinking Skills for a New Era of Automation”, de Yuval Atsmon (Janeiro/2019).

terça-feira, 23 de abril de 2019

O Futuro do Trabalho – Parte 2


Esse post é a continuação do artigo “O Futuro do Trabalho”.


Curiosamente, a maioria dos graduados em STEM não trabalha em trabalhos STEM, e a maioria dos trabalhos em STEM não é realizada por graduados em STEM. Consequentemente, os graduados em STEMs hoje não desfrutam de melhores resultados ocupacionais a longo prazo.

A maior escassez de STEM está nas ciências da computação e engenharia, o que também acontece com a força de trabalho menos diversificada. Nos EUA, por exemplo, as mulheres representam cerca de 50% de todos os empregos STEM, mas apenas 14% dos empregos de engenharia e 25% dos empregos em ciência da computação.

Uma pesquisa do Pew Research Center nos EUA mostra que o desequilíbrio se estende além do gênero. Brancos e asiáticos estão super-representados, detendo 85 por cento dos trabalhos de engenharia e ciência da computação, enquanto os negros e hispânicos são sub-representados, com apenas 13 a 14 por cento. À medida que questões de racismo e sexismo se entrelaçam, aquelas nas interseções de ambos (por exemplo, mulheres negras) estão ainda mais sub-representadas.

Esses desequilíbrios têm raízes precoces e profundas. As influências sociais e culturais começam em tenra idade e afetam a motivação a longo prazo. Há certos grupos de jovens que simplesmente não estão interessados em codificar. Estereótipos sociais, reais e percebidos, interagem, tornando muito difícil reverter esses desequilíbrios. Agora enfrentamos o risco adicional de que a IA imortalize esses vieses e preconceitos, como aconteceu recentemente para o algoritmo de recrutamento da Amazon.

Certamente, os educadores no ensino do STEM e também os empregadores, devem procurar fazer melhor em seus processos de contratação, buscando a superação de preconceitos, até mesmo de preconceitos inconcientes. Por outro lado, é verdade que nem todo mundo deseja uma carreira profissional do tipo STEM, ou ainda que nem todos podem alcançar – por não terem o talento e as habilidades requeridas - uma carreira do tipo STEM. Com ou sem a IA que virá num futuro próximo, essas pessoas irão buscar um trabalho em outra coisa!!!
(Continua --- )

quinta-feira, 18 de abril de 2019

O Futuro do Trabalho!!!


Com a expansão progressiva da Inteligência Artificial (IA), do aprendizado de máquina (machine learning) e da automação, muito tempo tem sido gasto contemplando o futuro do trabalho. 


Há um intenso debate sobre os aspectos bons e ruins da aceleração do desenvolvimento tecnológico na busca de respostas para os problemas que a sociedade deverá enfrentar. As perguntas que todos precisam responder são as seguintes: Os empregos recém criados com a IA compensarão os empregos perdidos? Quantos empregos serão eliminados pela automação e a robótica avançadas com IA? Em quanto tempo isso vai acontecer? 

É interessante notar que – nesse cenário de acelerada mudança - existem paradoxos que ainda não foram bem explicados. Por seu lado, os empregadores lutam para encontrar funcionários com as habilidades certas e – na outra ponta e ao mesmo tempo – parece que a maioria dos funcionários reclama que seus empregadores subutilizam suas habilidades.  Isso nos leva a crer, buscando uma explicação lógica para o que ocorre aqui, que as tais habilidades subutilizadas dos funcionários não são aquelas habilidades certas desejadas pelos empregadores, pelo menos na maior parte dos casos. 

Outro paradoxo, ainda mais difícil de decifrar, é o que compara o comportamento mais ansioso e rígido das gerações mais jovens com a necessidade do chamado talento adaptável e da mente aberta, que surge quase como um pré-requisito da maioria dos empregos. Esse jovem que não quer esperar e deseja tudo para já e do seu jeito não combina com essa pessoa flexível e adaptável que as empresas gostariam de ter em seus quadros, para moldar a sua vontade. 

Ninguém imagina que o avanço tecnológico será desacelerado em nome da proteção dos empregos. Isso não vai rolar! Talvez seja melhor procurar responder as seguintes questões: - Como podemos nos preparar melhor e que habilidades são as mais importantes para o futuro que vem ao nosso encontro?

Tudo leva a crer que o ensino de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM = Science, Technology, Engineering and Mathmatics) é cada vez mais importante. Os que se destacarem nesses assuntos construirão e programarão as máquinas que automatizarão todos os outros trabalhos. Há uma percepção generalizada de que os estudantes STEM têm quase garantido salários mais altos e mais opções profissionais. Será mesmo???

O McKinsey Global Institute estima que as horas de trabalho dos trabalhadores avançados em TI e programação quase dobrarão entre 2016 e 2030, e a demanda por todas as habilidades tecnológicas crescerá cerca de 50%. Mas mesmo em 2030, essas habilidades serão responsáveis por apenas um sexto das horas de trabalho nos EUA e na Europa.
(Continua --- )