quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Elaborando o Cronograma do Projeto com o MS Project

Na busca de eficiência e da possibilidade de administrar de forma mais organizada os projetos em curso na organização, as empresas têm usado cada vez mais ferramentas de software de gerenciamento de projetos. A escolha de tais ferramentas precisa ser feita com cuidado, pois existe um grande número delas, tanto proprietárias, cujo uso depende de compra de licenças, como ferramentas de código aberto, chamadas de “open source software” (software de código aberto).
A medida que os projetos crescem em quantidade, tamanho e complexidade, torna-se praticamente indispensável o uso de ferramentas de software de gerenciamento de projetos, pois possibilitam, para os membros de uma organização, o conhecimento dos processos utilizados, a visualização das informações em tempo real e o gerenciamento das necessidades de um projeto.  Todavia, para o uso efetivo de uma ferramenta de software de gerenciamento de projetos é necessário conhecer os conceitos de gestão de projetos, seus termos, denominações e definições, da mesma forma que a matemática é necessária para o uso efetivo de uma planilha de cálculos e o conhecimento de uma lingua é necessário para o uso de um editor de textos.
Veremos a seguir um conjunto de instruções que orientam a elaboração de um projeto no MS Project 2007 até a obtenção do cronograma do mesmo. Devemos lembrar inicialmente que, sendo o MS Project um software com várias possibilidades em seu menu, é possível executar uma mesma tarefa seguindo por mais de um caminho. Tendo isso em mente, e visualizando a tela inicial do programa, o usuário deverá seguir os seguintes passos:
Iniciando o Projeto
Escolher no menu Arquivo - Salvar como, e escrever o nome do arquivo do projeto. Em seguida, escolher no menu Arquivo – Propriedades, e inserir nome do projeto, nome do gerente e os comentários nos campos correspondentes.
 
Figura 1: Iniciando um projeto no MS Project
Em seguida, escolher no menu Projeto - Informações sobre o projeto e inserir a data de início do projeto e o calendário. O calendário formata o ambiente de projeto para que a alocação de recursos e as atividades sejam feitas da forma mais assertiva possível. O MS Project 2007 possui três tipos de calendários: padrão (8 horas por dia, de segunda à sexta), 24 horas e turno da noite.   O próximo passo é escolher a opção Ferramentas - Opções – calendário, para definir o calendário padrão do projeto, inserindo nos campos informações como: A semana inicia no (ex.: domingo),   hora de início padrão (ex.: 08:30), hora de término padrão (ex.: 17:30), etc. Vale acrescentar que o MS Project permite também que seja definido um calendário para um recurso, diferente do calendário base do projeto.
Ainda no início do projeto, escolher a opção Ferramentas - Opções – cronograma, para definir as opções do cronograma do projeto. Os campos principais dessa opção são: novas taferas (ex.: iniciar na data de início do projeto), a duração inserida em (ex.: dias); unidade padrão de trabalho (ex.: horas), tipo de tarefa padrão (ex.: duração fixa). É importante também escolher se o projeto terá, ou não, suas tarefas controladas pelo empenho.
Carregando a EAP
A EAP é a Estrutura Analítica do Projeto que consiste na divisão do escopo do projeto em componentes menores e mais fáceis de gerenciar. É construída através de técnicas de decomposição e detalhamento do trabalho a ser feito no projeto. A figura 2 ilustra uma EAP típica de um projeto genérico.
 
Figura 2: EAP de um projeto genérico
Para carregar a EAP do projeto, escolher no menu a opção Exibir - Grafico de Gantt. Em seguida, escolher no menu a opção Tabela: Entrada. Note que a EAP é composta de Entregas do projeto, e que cada Entrega pode conter um ou mais Pacotes de Trabalho. Por simplificação, vamos considerar que cada Entrega é subdividida em tarefas que serão usadas no cronograma do projeto (ver figura 3).
Figura 3: EAP carregada no MS Project
Por questões práticas de espaço, cada elemento da EAP tem uma descrição resumida. Por conta disso, recomenda-se usar um dicionário da EAP, com descrições mais detalhadas de cada um de seus elementos. Para criar o  dicionário da EAP, basta dar um duplo clique sobre uma tarefa para abrir as Informações sobre a mesma. Em seguida, selecionar o campo Anotações para preencher a área de texto com os detalhes da tarefa.
Criando a Planilha de Recursos
Um projeto necessita de recursos para executar cada uma de suas tarefas e podem ser do tipo trabalho ou material. Os recursos de trabalho são normalmente pessoas, como técnicos, pintores, arquitetos, etc. Os recursos materias podem ser tijolos, tinta, fio elétrico, barras de ferro, computadores, peças e outros tipos de insumos. Os recursos são criados em uma lista chamada de planilha de recursos para, posteriormente, serem alocados em cada tarefa do projeto. O usuário do MS Project 2007 deve escolher a opção Exibir Planilha de recursos para acessar essa planilha (figura 4). Cada tarefa poderá ter um ou mais recursos para alocação. Na planilha de recursos cada recurso (humano ou material) deve ter seu custo especificado (taxa/hora, tx. hora extra ou custo fixo).
Figura 4: Planilha de recursos
Alocando Recursos e Durações
A alocação de recursos é feita da seguinte forma: escolher no menu a opção Exibir – Grafico de Gantt. Selecionar também a opção Tabela: Entrada. Isso mostrará a EAP que foi carregada anteriormente. A partir desse ponto, dar um duplo clique sobre uma tarefa para abrir o campo  Informações sobre a mesma (ex.: Tarefa A1) . Selecionar então o campo Recursos.  No campo Nome do recurso alocar o recurso correspondente (ex.: advogado) , definindo no campo Unidades o percentual de tempo que este recurso irá trabalhar nessa tarefa (ex.: 100%). No campo Duração entrar com a quantidade de períodos trabalhados (ex.: 2 dias). Isso deverá ser feito para todas as tarefas do projeto.
Estabelecendo as Dependências e Obtendo o Cronograma
A programação das tarefas do projeto no tempo segue o seu sequenciamento. Portanto, é necessário saber que tarefa será feita primeiro, em seguida a próxima  e assim sucessivamente, até o encerramento. É necessário considerar que há tarefas que são executadas de forma seriada, enquanto outras são executadas em paralelo. A figura 5 mostra o sequenciamento de um projeto, também chamado diagrama de rede, usado como exemplo.
Figura 5: Diagrama de rede
Para cada tarefa podemos definir suas tarefas predecessoras (que vem antes) e sucessoras (que vem depois). Por exemplo, a tarefa A1 tem como predecessora o início do projeto e como sucessora a tarefas A2. Quando carregamos as predecessoras em cada uma das tarefas, como as durações de cada tarefa já tinham sido inseridas na etapa de alocação de recursos, o MS Project apresenta o desenho do cronograma do projeto.
Para carregar as predecessoras, escolher no menu a opção Exibir - Grafico de Gantt. Escolher, também, a opção Tabela: Entrada. Em seguida, dar um duplo clique sobre uma tarefa para abrir o campo Informações sobre a tarefa. Selecionar, então, a tabela Predecessoras. Nesta, no campo “Nome da tarefa” selecionar a tarefa que vem antes da tarefa selecionada. Seguir o mesmo procedimento para todas as tarefas do projeto. As tarefas chamadas de Inicio do projeto e Fim do projeto são marcos do mesmo e, portanto, devem ser marcadas com duração igual a zero. Os referidos marcos deverão ser usados normalmente no diagrama de rede do projeto (ex.: Inicio do projeto é predecessora da tarefa A1 e Fim do projeto é sucessora da tarefa D3). A figura 6, a seguir, apresenta o cronograma do projeto do nosso exemplo. Note que nas barras vermelhas é mostrado o caminho crítico do projeto.
Figura 6: Cronograma do projeto
Verificando a Super-Alocação
Um recurso humano deve ser alocado de forma correta. Isso implica em considerar, por exemplo, que uma pessoa (recurso humano) só pode trabalhar 8 horas durante um dia, dentro de um calendário padrão. Se ocorrer a situação de um recurso humano ser alocado em duas tarefas diferentes, num mesmo dia, ele ou ela estarão erradamente alocados, com mais horas de trabalho do que seriam capazes de realizar. Essa sobrecarga de trabalho para um recurso se chama, no MS Project, de super-alocação.  Em projetos pequenos, esse tipo de erro de alocação pode ocorrer por falta de atenção do usuário do software. Entretanto, em projetos maiores, onde existe uma quantidade muito grande de tarefas, evitar a super-alocação é menos trivial. Para remover a super-alocação será necessário reduzir o trabalho do recurso super-alocado ou reatribuir a tarefa para outro recurso. Para prevenir esse erro, o MS Project permite verificar a super-alocação de recursos. Assim sendo, o primeiro passo é verificar a super-alocação. Para isso, o usuário deve escolher no menu a opção Exibir – Gráfico de recursos. Além disso, escolher a opção Tabela – Entrada. A partir desse ponto, basta mover o botão central do mouse, verifique se o nome de algum dos recursos está marcado na cor vermelha. Em caso afirmativo, verifique em que momento do projeto isso acontece e remova a super-alocação (reduzindo a carga de trabalho do recurso ou alocando outro recurso).
Verificando a Duração Planejada
O usuário deve escolher no menu a opção Exibir – Grafico de Gannt e, também, a opção Tabela – Entrada. Na primeira linha, o campo Duração contém a duração total do projeto e de cada tarefa. Os campos Início e Término contêm as datas de início e término do projeto e de cada tarefa.
Verificando o Custo Planejado
O usuário deve escolher a opção Exibir – Gráfico de Gannt e, também, a opção Tabela – Custos. No campo “Custo total” pode ser visto o custo do projeto, de cada entrega e de cada tarefa.
Salvando a Linha de Base
Uma vez revisado e ajustado o planejamento do projeto é chegado o momento de “tirar uma foto” deste planejamento. A linha de base ou baseline é um modelo fixo que representa o planejamento do seu projeto. É por meio dela que se torna possível comparar os dados planejados com o que foi realizado no projeto, visualizando as variações cronológicas, financeiras e de trabalho. Para salvar a linha de base do projeto escolha a opção Ferramentas – Controle – Definir linha de base.
Esse post mostra como uma ferramenta de software pode facilitar o trabalho de planejar e atualizar os dados de um projeto, mas é sempre importante mencionar que quem cria, elabora, aloca, ajusta, estima, define, atualiza, planeja e replaneja as ações que irão ocorrer num projeto é o gerente de projetos e não o software.
Sobre o passo a passo para uso do MS Project 2007 acesse: http://h12sse.blogspot.com.br/2012/01/ms-project-passo-passo-parte-1.html
 
 

sábado, 12 de outubro de 2013

Trainee e Estágio: Um lugar para começar

Cuidar da carreira profissional é uma tarefa difícil, com muitas escolhas a fazer e decisões a tomar. Para quem está começando, buscar uma oportunidade nos programas de trainee é uma boa opção. Esses programas, geralmente, proporcionam o contato do trainee com quase todos os setores da empresa dentro de um plano de treinamento estruturado. Para o trainee é a chance de mostrar o seu valor.
 
Além do conhecimento técnico específico de cada cargo, as empresas procuram colaboradores com certas características comportamentais que são muito valorizadas. Essas características são as seguintes:

·         Aceitar responsabilidades;

·         Manter a calma, mesmo estando sob pressão;

·         Apresentar qualidade nos trabalhos desenvolvidos;

·         Bom relacionamento com chefes e colegas;

·         Boa capacidade de comunicação;

·         Capacidade de adaptar-se a novas situações;

·         Capacidade de analisar problemas e encontrar soluções;

·         Capacidade de liderança.

Outra possibilidade, especialmente para os mais jovens, é o estágio.   

Aproveito para incluir alguns links com informações sobre programas de trainee e de estágio. Os links não são dicas de emprego, apenas mostram onde começar a procurar. Se não conseguir nesse ano, quem sabe no próximo. O negócio é ser persistente na busca de novas oportunidades.

3M
http://solutions.3m.com.br/wps/portal/3M/pt_BR/3M-Careers-LA/Junte-se+a+Nos/

AES Eletropaulo
https://www.aeseletropaulo.com.br/imprensa/nossos-releases/conteudo/aes-brasil-abre-inscri%C3%A7%C3%B5es-para-o-programa-de-trainee-2014

Ambev
 http://www.traineeambev.com.br/

Boticario
 http://www.grupoboticario.com.br/oportunidades/Paginas/trainee.aspx

Dow (Química)
 http://www.dow.com/brasil/carreiras/trabalhe-conosco/programa-de-estagio.htm

 Fleury
 http://www.traineesgrupofleury.com.br/  

Fiat
 http://www.fiat.com.br/mundo-fiat/trabalhe-conosco.jsp

General Motors do Brasil
 http://www.chevrolet.com.br/universo-chevrolet/trabalhe-conosco.html

Gerdau
http://www.traineesgerdau.com.br/

HSBC
 http://www.hsbc.com.br/1/2/br/sobre-o-hsbc/trabalhe-no-hsbc/  

 IBM
http://www.ibm.com/br/employment/

International  Paper
http://www.internationalpaper.com/BRAZIL/PT/Company/Careers/TraineePrograms.html

LG
http://www.lge.com/br/carreira

Magazine Luiza
 http://especiais.magazineluiza.com.br/vem-ser-trainee/ 

Mercedes Benz do Brasil
 http://www.mercedes-benz.com.br/ModeloDetalhe.aspx?categoria=161

Merck
http://www.merck.com.br/pt/trabalhe_na_merck/trabalhe_na_merck.html

Natura
 http://www.jovenstalentos.natura.com.br/#/estagio 

Nestlé
http://corporativo.nestle.com.br/trabalhenanestle/programadetrainee

PDG (Construtura e Incorporadora)
 http://www.trainee.pdg.com.br/

Votorantim
 http://www.produzindofuturos.com/trainees

sábado, 5 de outubro de 2013

Viva o Milho de Cora Coralina!

Como uma coisa tão simples pode se tornar grandiosa? Sim, o pequeno grão de milho, a boa semente, precisa ser forte para crescer, mesmo em terra descuidada. As coisas não nascem grandes. Elas nascem pequenas e depois crescem. Você também pode crescer.

 


Agora, experimente ler em voz alta o poema “Oração do Milho”, da grande poetisa Cora Coralina. Sim, em voz alta, saboreando a força de cada frase e a escolha perfeita de cada palavra.

“Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres.
Meu grão, perdido por acaso, nasce e cresce na terra descuidada. Ponho folhas e haste e se me ajudares Senhor, mesmo planta de acaso, solitária, dou espigas e devolvo em muitos grãos, o grão perdido inicial, salvo por milagre, que a terra fecundou.
Sou a planta primária da lavoura.
Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo. E de mim, não se faz o pão alvo, universal.
O Justo não me consagrou Pão da Vida, nem lugar me foi dado nos altares.
Sou apenas o alimento forte e substancial dos que trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre.
Sou de origem obscura e de ascendência pobre. Alimento de rústicos e animais do jugo.
Fui o angu pesado e constante do escravo na exaustão do eito.
Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante. Sou a farinha econômica do proletário.
Sou a polenta do imigrante e a miga dos que começam a vida em terra estranha.
Sou apenas a fartura generosa e despreocupada dos paióis.
Sou o cocho abastecido donde rumina o gado
Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece.
Sou o carcarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos.
Sou a pobreza vegetal, agradecida a Vós, Senhor, que me fizeste necessária e humilde
SOU O MILHO.”

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Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poetisa e contista brasileira. Considerada uma das principais escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais), quando já tinha quase 76 anos de idade. (Fonte: Wikipédia)

domingo, 29 de setembro de 2013

Lendo um Estudo de Caso e Elaborando a EAP

Vamos supor que você, estudante de gestão de projetos na modalidade à distância, está agora com a missão de ler um determinado estudo de caso, que descreve um projeto, para analisá-lo e elaborar a EAP (Estrutura Analítica de Projeto) do mesmo. Bem, esse é um exercício prático e interessante, sem a menor sombra de dúvida. Entretanto, nesse tipo de exercício o estudante irá se deparar com três aspectos que dificultam o trabalho; a saber:

Falta de conhecimento técnico sobre o assunto do estudo de caso – se o estudante não é familiarizado com o assunto, isso poderá deixa-lo intimidado. Por não conhecer o assunto, não sentir-se seguro para falar sobre o tema, por medo de errar, o estudante acaba dizendo a si mesmo que “isso não é prático para mim”. Ele se esquece que isso é apenas um exercício e que seu professor tutor pode ser acionado, em caso de dúvidas. Ele pode buscar EAPs de casos semelhantes em livros ou na Internet, que servirão como base de referência. Ele pode também compartilhar suas ideias e dúvidas com seus colegas de curso, como se estivesse consultando os “especialistas”. Algo do tipo: “- Eu acho que a EAP desse projeto é a do desenho no arquivo anexo. Alguém discorda ou tem uma ideia melhor? Que tal um debate no fórum sobre esse tópico?”

Falta de conhecimento sobre o que é uma EAP e como é elaborada – antes de iniciar o trabalho de elaborar uma EAP é imprescindível estudar essa matéria. Não há como pular essa etapa.

Solidão do estudante à distância – o estudante de um curso à distância sente, muitas vezes, um enorme sentimento de solidão. O contato humano na sala de aula com colegas e professores não será, de fato, substituído. Entretanto, o isolamento deve ser minimizado através do contato com o professor tutor, feito por todos os meios que a tecnologia de comunicação permite (skype, chats na Internet, telefone e e-mail). É também recomendável fazer parte de redes sociais como, por exemplo, o Facebook, que coloquem numa área comum estudantes de um mesmo curso e que, por isso, possuem objetivos e problemas comuns. O Facebook deve ser aproveitado da melhor forma possível, por motivos de integração social e também como ferramenta auxiliar de aprendizagem.

Tendo esses aspectos em mente, vamos discutir, nos próximos parágrafos, os passos que devem ser seguidos pelo estudante que tem o desafio de, à partir de um estudo de caso sobre um projeto, elaborar a EAP desse projeto.

Basicamente, o estudante deverá ler o estudo de caso, analisar o texto e responder a algumas perguntas. Uma EAP é um desenho - como na figura 1 abaixo – com as entregas do projeto. As entregas são as partes que precisam ser feitas e que somadas resultarão no produto ou serviço que será criado pelo projeto. Cada entrega pode ser subdividida em pacotes de trabalho. A soma dos pacotes de trabalho de uma determinada entrega resulta na criação dessa entrega.

Se meu projeto fosse um bolo, eu poderia dizer que as partes desse projeto seriam:  obter os ingredientes, preparar a massa e cozinhar o massa. Se somarmos todas as partes, no final teremos o bolo pronto. Agora, subdividindo entrega por entrega poderemos definir os pacotes de trabalho como na tabela 1 abaixo.

Tabela 1: EAP do Projeto Bolo
Entregas
Pacotes de Trabalho
Obter os ingredientes
Pegar ingredientes no armário da cozinha, comprar ingredientes na feira, comprar ingredientes no supermercado, colocar todos os ingredientes na bancada da cozinha.
Preparar a massa
Misturar os ingredientes, bater a massa, colocar a massa numa travessa de bolo.
Cozinhar a massa
Colocar a travessa com a massa no forno, monitorar o cozimento da massa, retirar o bolo pronto do forno.

 
Um ponto importante aqui é que nesse momento não é preciso pensar na ordem das coisas. Em outras palavras, não é necessário agora pensar no que vem primeiro e no que vem depois. Isso acaba confundindo boa parte dos estudantes. Para elaborar a EAP o foco é pensar em tudo que precisa ser feito, não em quando será feito. Para saber o que será feito primeiro, e o que será feito depois,  etc e tal, será necessário fazer uma análise de precedências. Esse tipo de análise não é feita agora, quando se elabora a EAP. A análise de precedências é feita para a elaboração do cronograma do projeto.

Os pacotes de trabalho mostram o trabalho que precisa ser feito no projeto para produzir cada entrega. Quando todas as entregas estiverem feitas, o projeto está pronto.

A leitura do texto do estudo de caso é fundamental para o seu entendimento e para conseguir extrair as informações necessárias sobre as entregas do projeto. Muitas vezes, o estudante não consegue descobrir, logo na primeira tentativa, todas as entregas de um projeto. Da mesma forma que um gerente de projetos no mundo real recorre aos especialistas, o estudante recorrerá ao tutor e aos seus colegas, trocando impressões, respondendo questões e dúvidas. Se resumirmos os passos que demos até aqui, o estudante deve ler o texto e responder as seguintes perguntas: - quais são as entregas do projeto? Para cada entrega, quais são os pacotes de trabalho? Tendo respondido a essas perguntas, o aluno poderá fazer o desenho da sua EAP.

A EAP deve ser validada pelos stakeholders, com destaque para a equipe de projeto, o sponsor e o cliente. Eu sempre escolho exatamente essa ordem pelos seguintes motivos:

Validação pela equipe do projeto  – em primeiro lugar, devemos considerar que cada membro da equipe que faz alguma coisa no projeto é um especialista no seu próprio trabalho. Essa é justamente a ideia de alocar um recurso para executar uma tarefa. Isso só é feito se esse recurso é capaz ou, em outras palavras, tem as competências necessárias. O sujeito que pinta as paredes é um especialista em pintura. O programador é um especialista em códigos da linguagem de programação. O operador de uma máquina é um especialista na operação dessa maquina. O engenheiro civil é um especialista em edificações. O comprador é um especialista em compras. E assim sucessivamente, cada membro da equipe, no momento correto (definido no cronograma) executará o trabalho que precisa ser feito no projeto. Como cabe a equipe executar cada entrega do projeto, nada mais justo do que alinhar a definição dessas entregas com as pessoas que irão executá-las.

Validação pelo sponsor do projeto – se nos preocuparmos com a tradução da palavra inglesa “sponsor” para o português, podemos usar a denominação “padrinho”. Portanto, o padrinho do projeto será alguém em um nível superior da organização executora do projeto – por exemplo, um diretor – que aprova/autoriza o que é feito no projeto e, portanto, tem responsabilidade pelos resultados. Geralmente, o sponsor funciona como uma interface entre o projeto e a alta direção da organização. É óbvio que o escopo do projeto precisa ser aprovado pelo sponsor e, no momento de apresentar ao sponsor o que se pretende fazer – entrega por entrega – será muito importante explicitar o que não está incluso também. A regra básica é a seguinte: se não estiver incluso na EAP não será feito.

Validação do cliente – é importante compreender que ao final do projeto o cliente deverá fazer a aceitação com base em certos critérios. O critério de aceitação será aquilo que o cliente aceita que será entregue pelo projeto, com todas as características detalhadas e acordadas entre as partes. Por isso é tão importante validar o escopo do projeto com o cliente.

Uma leitura atenta mostrará que nem tudo está dito e registrado, como se houvessem porções da informação flutuando em uma faixa cinzenta. Há partes que precisam ser questionadas. Há outras que precisam ser conhecidas. Por isso é necessário contar com pessoas experientes, os famosos especialistas. Será necessário preencher as lacunas em branco, fazer suposições, trabalhar com premissas e formular as perguntas corretas. Depois disso, poderemos ter uma primeira versão do que será o escopo do projeto. Mesmo assim, essa e todas as demais versões do escopo precisarão ser validadas com os stakeholders, como acima mencionado. O estudante poderá validar a sua EAP com o tutor ou no seu grupo de estudos no Facebook. 

A seguir estão alguns exemplos que poderão servir de referência, com os estudos de caso A, B e C. Para cada um deles foi elaborada uma EAP, como resultado da leitura e análise.  Não é obrigatório concordar com a EAP resultante. Alguns alunos já me enviaram seus comentários e sugestões de mudança, criando EAPs mais completas a partir das sugestões apresentadas. Essa é uma boa abordagem de estudo, pois sabemos que, afinal, sempre é possível melhorar!

Estudo de caso A: Nova Agencia Bancária - Banco Saturno
 

 

EAP do Projeto da Nova Agencia Bancária – Banco Saturno

Entrega

Pacote de Trabalho

Início do projeto

Revisão do plano do projeto, reunião de kick off.

Regularização do projeto civil na Prefeitura

Preparar documentação, obter aprovação de documentação.

Preparo do terreno

Fazer terraplanagem, fazer drenagem.

Muros de contenção

Fazer muros nos fundos, fazer muros nas laterais.

Fundações

Fazer blocos, fazer sapatas e fazer cintas de travamento.

Estrutura

Pilares, cintas de travamento, formas, armação, concretagem, desforma.

Cobertura

Fazer treliças, colocar telhas, colocar calhas

Utilidades

Fazer parte elétrica, fazer parte hidráulica.

Acabamento

Fazer acabamento nas paredes, assentamento alvenaria, chapisco, reboco, emassamento, pintura, piso, enchimentos e regularizações, contrapiso, concretagem, juntas de dilatação, esquadrias, janelas, portas, venezianas, vidro

Limpeza final

Fazer limpeza de terreno, fazer remoção de entulhos.

Fim do projeto

Preparar relatório de lições aprendidas, preparar relatório do projeto.


Estudo de caso B: Otimização/Remodelagem de Processo Industrial


 

EAP do Projeto de Otimização/Remodelagem de Processo Industrial

Entrega

Pacote de Trabalho

Início do projeto

Revisão do plano do projeto, reunião de kick off.

Levantamento do processo atual

Lista de colaboradores envolvidos no processo, mapeamento do processo atual, validação do processo atual, documentação do processo atual validado.

Modelagem do processo otimizado

Estudo de alternativas, formulação do processo otimizado, validação do processo otimizado.

Implementação do processo otimizado

Compra de novo equipamento, compra de novo software, instalação de novo equipamento, instalação de novo software, migração de dados, testes, ajustes, documentação, treinamento.

Início de operação

Acompanhamento do início da operação, relatórios.

Fim do projeto

Relatório de lições aprendidas, relatório do projeto.
Estudo de caso C: Implantação de Novo Modulo de ERP  



EAP do Projeto de Implantação de Novo Módulo de ERP

Entregas

Pacotes de Trabalho

Início do projeto

Revisão do plano do projeto, reunião de kick off.

Preparação da Implantação para novo módulo de ERP

Reestruturação de processos, compra de novo hardware, reuniões de apresentação do novo módulo.

Customização

Adaptação do novo modulo de software, migração de dados, testes das funcionalidades do novo modulo de software.

Instalação de novo hardware

Recebimento do novo hardware, instalação do novo hardware, testes do novo hardware.

Implantação

Integração do novo módulo de software com o sistema existente, testes, validação, correções, treinamento.

Início de operação

Acompanhamento da operação inicial, correções.

Fim do projeto

Relatório de lições aprendidas, relatório do projeto.

 Bem, agora é com vocês. Mãos à obra!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A ilusão do tempo para Einstein

“ – Um minuto-luz é a distância que a luz consegue percorrer no intervalo de um minuto. E ela é grande, pois no espaço sideral a luz percorre trezentos mil quilômetros em apenas um segundo. Um minuto-luz, em outras palavras, é trezentos mil vezes sessenta, isto é, dezoito milhões de quilômetros. Um ano-luz corresponde a cerca de dez trilhões de quilômetros.

- E qual a distância daqui até o Sol?

- Pouco mais que oito minutos-luz. Os raios do Sol que aquecem nossa face num dia quente de verão viajaram oito minutos pelo universo antes de nos alcançar.

- Continue!

- A distância até Plutão, que é o primeiro planeta mais afastado do nosso sistema solar, é de meras cinco horas-luz desde o nosso próprio planeta. Quando um astrônomo observa Plutão na objetiva do seu telescópio, na verdade está retrocedendo cinco horas no tempo. Podemos dizer de outra forma: que a imagem de Plutão leva cinco horas para se mover até aqui.

- É difícil imaginar uma coisa assim, mas, para dizer a verdade, eu acho que compreendo o que você quer dizer.

- Que bom, Hilde. Mas até agora nós só começamos a nos orientar no espaço. Nosso próprio Sol é apenas uma entre os quatrocentos bilhões de estrelas numa galáxia que chamamos de Via Láctea. Essa galáxia se assemelha a um grande disco com vários braços em forma de espiral, num dos quais está o nosso Sol. Quando observamos o céu de uma noite de inverno, podemos ver um largo cinturão de estrelas. Isso porque estamos olhando diretamente para o centro da Via Láctea.

- É por isso que a Via Láctea se chama “Rua do Inverno” em sueco.

- A distância até nossa vizinha mais próxima na Via Láctea é quatro anos-luz. Talvez seja aquela estrela ali, brilhando acima daquela ilha lá longe. Imagine que agora mesmo lá existe um astrônomo amador com um telescópio bem potente apontado para Bjerkely: ele está enxergando a Bjerkely de quatro anos atrás. Talvez ele esteja vendo uma garota de onze anos se balançando aqui.

- Incrível!

- Mas essa é apenas a estrela vizinha mais próxima. A galáxia inteira, ou “nebulosa” como também a chamamos, possui noventa mil anos-luz de largura. Essa é a quantidade de anos de que a luz precisaria para ir de uma extremidade a outra. Quando vemos o brilho de uma estrela da Via Láctea que está a cinquenta mil anos-luz de nosso próprio Sol, estamos olhando para cinquenta mil anos no passado.

- É uma ideia muito grande para uma cabeça pequena como a  minha.

- A única maneira de enxergarmos o universo é justamente olhando de volta no tempo. Não sabemos jamais como é o universo lá fora. Só conseguimos saber como ele era. Quando olhamos para uma estrela que está a milhares de anos-luz de distância, na verdade estamos retrocedendo milhares de anos na história do universo.

- Isso é completamente inimaginável.

- Tudo que vemos chega aos nossos olhos através da luz, que se locomove em ondas. E essas ondas precisam de tempo para viajar pelo espaço. Podemos fazer uma comparação com o trovão. Ouvimos o trovão um tempo depois de termos visto o relâmpago ou o raio. Quando ouço o trovão, estou ouvindo o barulho de algo que aconteceu no passado, ainda que recente. Assim é também com as estrelas. Quando olho para o alto e vejo uma estrela que se encontra a milhares de anos-luz daqui, estou “vendo o trovão” de algo que aconteceu num passado remoto, há milhares de anos”.

Diálogo entre Hilde, uma menina prestes à completar 15 anos, e seu pai. No livro eles vivem num lugar chamado Bjerkely, na Noruega.
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O texto acima, entre aspas, foi extraído do livro O Mundo de Sofia: romance da história da filosofia, de Jostein Gaarder, que vendeu, somente no Brasil, mais de um milhão de exemplares.
Fonte: Gaarder, J. “O Mundo de Sofia: romance da história da filosofia”. São Paulo: Cia das Letras, 2012.