sábado, 9 de março de 2019

Gerenciamento de Conflitos em Projetos: Um Excelente Tema para o seu TCC


Muitos dos que procuram temas para seus TCCs em gerenciamento de projetos esquecem que há uma significativa gama de assuntos relacionados ao desafio de gerenciar e controlar projetos, sendo esse desafio muito relacionado a como lidar com as pessoas e seus conflitos. Mas o que se deve procurar então exatamente nesse campo? Bem, em primeiro lugar deve-se procurar um projeto em que se possa ajustar o foco da lente observadora do pesquisador (ou, em outras palavras, ajustar o olho atento do aluno do MBA em Gestão de Projetos) aos comportamentos da equipe no decorrer do projeto, verificar se houve impactos no projeto como os atrasos no cronograma, o aumento de custos ou os desvios nos objetivos do projeto, apenas para citar alguns e, não menos importante, estudar como o gerente de projetos enfrentou tais comportamentos e tratou tais impactos. O resultado final seria um bom conjunto de lições aprendidas para serem compartilhadas pelos profissionais e interessados na área da gestão de projetos e, com toda certeza, um excelente material para ser usado na pesquisa do seu trabalho de conclusão de curso.

Então, estamos falando de conflitos nas organizações e nos projetos, certo? Sim, um fenômeno presente em todas as organizações desse nosso planeta azul. Mas que técnicas podem ser observadas por nós, pesquisadores e estudantes de gestão de projetos, e que são usadas para lidar com conflitos? Bem, vejamos algumas delas abaixo.

Buscar uma solução em que todos ganhem – Parte do principio que a única vitória quando se trata de lidar com conflitos no ambiente de trabalho é aquela que é mútua, o que resulta geralmente em buscar novos pontos comuns de entendimento. Os lados em conflito precisam deixar de se ver como adversários, mas como partes de uma mesma equipe, pois isso aumenta a chance de alcançar um resultado mutuamente benéfico. Isso se tornará particularmente difícil em casos onde existam conflitos repetidos com um ou mais indivíduos ou ainda se uma das partes tiver a certeza de estar absolutamente correta.

Concentrar-se no processo ao invés de culpar as pessoas – Antes de ir logo apontando o dedo para um indivíduo e afirmar que ele (ou ela) é o culpado por um erro cometido, essa técnica considera ser melhor, em primeiro lugar, investigar o processo em que a atividade ou o trabalho é feito. Em outras palavras, o gerente de projetos deve olhar para o ponto no processo em que esse erro foi cometido. Se há um problema aqui, o que deve ser feito para corrigir? O gerente de projetos deve tentar verificar se esse indivíduo teve a informação certa para fazer seu trabalho corretamente ou se houve alguma perda de informações que poderiam levar aquele indivíduo ao erro. A ideia é encontrar a causa raiz do problema e corrigir o processo, deixando a equipe confiante para evitar que erros sejam cometidos no futuro.

Identificar emoções - Somos humanos; imperfeitos e muitas vezes irracionais. Dar um passo atrás para descobrir como estamos realmente nos sentindo é uma das melhores coisas que podemos fazer para lidar com conflitos. Podemos fazer isso individualmente, mas a melhor técnica é conversar com um amigo (ou amiga) que esteja fora do problema e possa nos ajudar com honestidade, sem querer apenas nos agradar.  Um indivíduo irritado ou chateado está mais propenso a entrar em conflito com alguém. Mas o que está no núcleo dessa irritação? Será que o indivíduo se sente excluído ou desapontado por entender que foi deixado de fora de algo que considere importante para o seu trabalho? Identificar as emoções pode nos ajudar a encontrar a causa raiz de um conflito.

Evitar as armadilhas da comunicação - Muitos conflitos no local de trabalho são causados por mal-entendidos devido a diferentes estilos de comunicação. Algo que é dito a um colega de trabalho pode ser interpretado de forma diferente do que se pretendia. Em nosso ambiente digital de trabalho estamos constantemente enviando mensagens por chat e e-mail, produzindo fotos e vídeos com maior facilidade, nos comunicando por audio e vídeo conferência, trabalhando remotamente apoiados na tecnologia. Muitas vezes trabalhamos com pessoas que não conhecemos pessoalmente. As pessoas – colegas próximas que estão em nosso ambiente físico ou aquelas que trabalham remotamente - têm diferentes personalidades e preferências de comunicação e tais diferenças potencializam o surgimento de conflitos. Para minimizar esse problema o gerente de projetos deve abrir um canal de comunicação com a equipe, no ambiente do projeto, tendo o cuidado de deixar claro que esse canal funciona como uma via de mão dupla.  O gerente de projetos precisa estar disposto a ouvir e a oferecer a melhor comunicação possível para que os conflitos com a equipe possam ser solucionados.

Manter-se orientado aos objetivos e metas do projeto – A ideia aqui é tentar usar um conflito como uma ferramenta de alcance dos objetivos e metas do projeto. Será que temos uma diferença de opiniões e de abordagens porque estamos tentando encontrar o melhor caminho para alcançarmos aquele objetivo ou aquela meta? Essa é a pergunta chave dessa técnica. Além disso, será essencial ter as partes envolvidas no conflito com a mente aberta para discutir as causas do conflito e entender como poderão colaborar para que o mesmo seja resolvido. 

Fazer reuniões do tipo cara a cara – Não há nada tão poderoso no gerenciamento de conflitos do que uma reunião onde as partes envolvidas estão presentes, olhando nos olhos umas das outras, e dizendo o que precisa ser dito diretamente, sem intermediários eletrônicos, dialogando cara a cara.  Os e-mails e telefonemas, e outros tipos de mensagens eletrônicas, possibilitam um tempo para que o indivíduo que os recebe fique repassando seu conteúdo e alimentando ressentimentos.  Se o gerente do projeto chama alguém para uma conversa pessoal isso tem sua importância, mas não significa que é fácil. Pode ser complicado lidar com os tímidos ou com a falta de confiança de membros da equipe. A falta de confiança é um obstáculo na resolução de conflitos pois costuma atuar como um inibidor para a abertura de um canal de comunicação mais franco e armar os mecanismos de defesa dos que são chamados para conversar.  A parte convidada para a reunião pode pensar: “- O que eu fiz de tão errado que necessita ser discutido em uma reunião?” Sendo assim, é recomendado usar as técnicas mencionadas anteriormente nesse texto como buscar uma solução em que todos ganhem, concentrar-se no processo ao invés de culpar as pessoas, identificar emoções, evitar as armadilhas da comunicação e manter-se orientado aos objetivos e metas do projeto. 

Reconhecer as fontes causadoras do conflito – Essa técnica compreende a análise do conflito e suas causas e o reconhecimento em voz alta, na presença da outra parte envolvida, para validar o que foi descoberto, confirmando o entendimento do conflito e, ao mesmo tempo, dando a oportunidade para que a outra parte aponte discrepâncias em sua compreensão do problema em questão. Isso mostra que o gerente do projeto não está apenas disposto a ouvir, mas que é um bom ouvinte. Como a comunicação está no centro de todas as técnicas bem-sucedidas de resolução de conflitos, a importância de ouvir e mostrar especificamente que se está ouvindo não apenas ajuda no conflito em questão, mas também cria um espaço mais aberto para lidar com conflitos futuros. 

Voltar-se para si mesmo – A ideia dessa técnica é dar o exemplo, orientando seu esforço na busca de melhorias internas, na equipe ou no próprio gerente de projetos. O mantra aqui é o seguinte: - Nós sempre podemos fazer melhor. Será que eu – como gerente desse projeto – estou fazendo alguma coisa errada? Estou errando na comunicação ou na alocação de recursos? Será que isso (ou outro aspecto causado por mim) está gerando conflitos? Trabalhar para responder a essas perguntas é vital para que essa técnica funcione. Quanto mais o gerente de projetos faz isso, mais forte será esse aspecto da cultura de sua equipe. Se todos se sentirem seguros ao apresentar seus próprios erros, as questões sobre como lidar com conflitos no trabalho tornam-se secundárias, pois os problemas podem ser dissecados em uma zona livre de conflitos.

**********  **********  **********

De tudo que foi dito até aqui vale o ditado popular que diz que “conversando a gente se entende”. E aqui surge uma importante lição a ser aprendida: Qual é o sentido de todas essas conversas difíceis se não aprendemos alguma coisa que possa nos ajudar e facilitar nossas futuras conversas.  Afinal de contas, são essas conversas que usados para lidar com os conflitos. Não há sentimento pior do que experimentar um diálogo difícil, conflituoso, com alguém na equipe do projeto, para sentir que todo aquele esforço foi em vão. 

Você, como gerente do projeto, agiu de que forma? Você não era o gerente, apenas participou do projeto. Tudo bem, eu entendo. No projeto em que você participou, como o gerente do projeto agiu para lidar com os conflitos da equipe? Se você tiver acesso a essas informações terá em mãos um bom material para usar na sua pesquisa do TCC. Reflita sobre essas questões e veja se isso pode ajudá-lo. Bem, é isso aí. Até a próxima.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Campus Party #CPBR12: Sentindo o Futuro

Eu caminhava tranquilamente pelo enorme tapete vermelho na área paga da Campus Party – chamada de Arena - e vi dois rapazes e uma moça experimentando um jogo, usando seus próprios movimentos, como numa dança. Sim, eles estavam dançando. Logo um rapaz de camisa branca se aproxima para ver tudo mais de perto.  Eu movi a câmera do meu smartphone, num giro de 360 graus, registrando quem estava passando por ali e observei muitas pessoas, centenas delas, sentadas em bancadas com seus computadores, meio que absorvidas, mergulhadas em seus aplicativos, acessando à Internet de ultra rápida velocidade que tinha sido disponibilizada para os participantes do evento. Aquele era o lugar das chamadas comunidades, reunindo principalmente desenvolvedores, criadores e gamers. Essas comunidades – grupos com interesses em comum – podiam criar ou ampliar suas conexões, compartilhar conhecimento, estimular o espírito colaborativo, impulsionar novas ideias e inspirar outros a se integrarem. Sim, ali podia ser um bom lugar para isso.  

Em pontos estratégicos daquele espaço haviam palcos para apresentações de especialistas, debatendo sobre assuntos relevantes. Eram palcos dedicados, batizados com nomes como Palco Creativity, Palco Makers, Palco Gamers, Palco Entrepreneurship, Palco STEAM, Palco Feel the Future e Palco Coders. Todos escritos em inglês. Por um instante me veio a seguinte questão: Não se pode ser criativo em português? Deixa isso pra lá! Todos os palcos – com seus respectivos lugares para as pessoas assistirem as apresentações devidamente acomodadas - no mesmo espaço aberto, junto com as pessoas nas mesas das comunidades, palestrando e falando ao mesmo tempo. Se você fosse para um dos palcos assistir a uma palestra, poderia acompanhar o som do palestrante perfeitamente, mas aquele ruído sonoro de fundo, excessivo para o meu gosto pessoal, o acompanharia em todos os lugares da Arena. Continuei registrando a Arena na câmera do meu smartphone e quando terminei o giro, duas moças de camiseta branca já estavam na frente do tal jogo, prontas para experimentar alguns passos. Aqui a fila também andava!



Uma outra área chamada Camping estava reservada para a galera que pagou para dormir no evento, para ficar lá todas as horas do dia e da noite. Essa área estava lotada pelos muitos que queriam simplesmente estar ali o máximo de tempo possível, sem ter que ir para casa no final do dia e ter o trabalho de voltar no dia seguinte. Para sentir o futuro – Feel the Future - era preciso estar nele o tempo todo!



Minha missão na CPBR12 foi ministrar uma “Oficina” sobre o microcontrolador Arduino e sua programação no stand do Centro Paula Souza, em parceria com a Módulo Eletrônica de Campinas/SP. Tudo isso rolou no dia 14 de fevereiro de 2019, com o horário das 13:00 horas para começar! A realização foi de responsabilidade da Módulo Eletrônica, empresa fornecedora de componentes eletrônicos, de uma vasta linha de produtos para Arduino e de impressoras 3D.
O stand do Centro Paula Souza estava na área gratuita da Campus Party chamada de Open Campus, onde ficavam os stands dedicados aos simuladores, drones, robôs, a educação do futuro e, não menos importante, aos patrocinadores. Poder contribuir com uma instituição de ensino de vanguarda, que adota metodologias ativas de aprendizagem para motivar os jovens nos seus estudos, foi uma experiência muito gratificante. 



Em todas as áreas da Campus Party o sistema de ar condicionado funcionou perfeitamente. A temperatura era agradável, mas o ruído sonoro me incomodou, devo confessar. O ruído sonoro excessivo é algo que se precisa aprender a conviver quando se decide estar nesse tipo de evento. Fácil para uns e difícil para outros como eu. Eu ainda tinha mais uma dúvida que me acompanhava desde o primeiro momento que entrei no pavilhão da Expo Center Norte em São Paulo: - Será que todo esse pessoal acampado consegue mesmo dormir à noite? Vai saber! Eu acho que, depois de tudo que rolou no evento, muitos estarão determinados a perseguir seus sonhos, cheios de motivação e novas ideias. Mas dormir mesmo, só quando cada um estiver estirado em sua própria cama, no escurinho calmo e seguro de seus quartos. Nessa hora, e só nessa hora, é que, sem se dar conta, cairão no sono profundo e merecido, pois, afinal de contas, a tecnologia é inspiradora, mas o sono é mais que sagrado.

Campus Party Brasil – CPBR12
De 12 à 17 de fevereiro de 2019
Expo Center Norte na cidade de São Paulo

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Os serviços executados pelos PMOs no Brasil


Um esclarecedor artigo de Carlos Magno Xavier (Doutor, PMP), publicado no site da Beware, em 17 de dezembro de 2018, responde a muitas perguntas sobre o que os Escritórios de Gerenciamento de Projetos fazem e como atuam nas organizações brasileiras. Um Escritório de Gerenciamento de Projetos, mais conhecido por PMO, do inglês Project Management Office, tem papel importante na chamada governança corporativa, que considera a gestão dos projetos devidamente alinhados com as estratégias de negócios de uma organização.



O artigo afirma que várias organizações implantaram ou estão considerando implantar PMOs esperando que isso contribua para importantes melhorias como, por exemplo, a entrega de projetos no prazo, a redução de custos e a diminuição no fracasso dos projetos. Entretanto, também menciona estatísticas apresentadas em 2011 que dão conta que 60% dos profissionais seniores de projetos questionam o valor do PMO e 50% do PMOs falham em sua primeira implementação. Bem, mas o que acontece no Brasil? As respostas estão no artigo do autor para o qual apresentamos aqui um resumo.

PMOs no Brasil *****

A pesquisa foi realizada no período de setembro à novembro de 2018, com 241 respondentes.

A grande maioria (75,3%) dos participantes foi de organizações de grande e médio porte, onde presumivelmente estão os projetos mais relevantes para o país.

Verificou-se que 30% das organizações de grande porte pesquisadas não possuem PMO.

É fundamental entender o PMO como um prestador de serviços. De uma lista de 27 serviços identificados como os mais comuns em PMOs no mundo, os serviços mais comuns em mais de 60% dos PMOs pesquisados no Brasil foram os seguintes:
·         No grupo de gestão de portfolio: monitorar e controlar o desempenho de projetos, informar o status dos projetos a alta gerência, e coordenar e integrar projetos de um portfolio.
·      No grupo de desenvolvimento de governança: prover metodologia de gerenciamento de projetos e prover um conjunto de ferramentas para o gerenciamento de projetos.

Com respeito ao nível de satisfação com a qualidade dos serviços dos PMOs, considerando apenas as organizações com PMO, o resultado foi o seguinte: muito satisfeito 13%; satisfeito 45%; nem satisfeito nem insatisfeito 24%; insatisfeito 13% e muito insatisfeito 5%. Desta forma, 58% dos respondentes estão satisfeitos ou muito satisfeitos com a qualidade dos serviços do Escritório de Gerenciamento de Projetos.

Para mais informações acesse o link >

É isso aí, até a próxima!

**********************************