domingo, 1 de julho de 2018

Um Gênio Argentino chamado Joaquim Salvador Lavado


Um gênio argentino chamado Joaquim Salvador Lavado, conhecido como Quino, que admiro desde muito tempo. Sobre ele o Wikipédia diz o seguinte: 

Quino (1932) é um cartunista e humorista argentino, autor das famosas tiras do personagem Mafalda, uma menina inteligente e contestadora que ganhou grande repercussão no cenário mundial.  





O Wikipédia ainda menciona outras coisas, mas para mim ainda muito pouco. Quino é um artista genial que me fez refletir sobre o certo e o errado, sobre os bons valores, sobre a educação e o futuro. Tudo isso, aparentemente, sem o menor esforço. Apenas contanto histórias de uma menina e sua vida. Sim, tudo muito parecido com cada um de nós! Alguém como a personagem Mafalda é um ser humano que vale a pena conviver, aprender, se indignar junto e se emocionar. Como não poderia deixar de ser, a Mafalda de Quino tem um jeitinho próprio todo dele, que pode ser percebido na seguinte frase: “Não é necessário dizer tudo o que se pensa; o que sim é necessário é pensar tudo o que se diz”. Aproveitem algumas tiras do genial Quino!!!

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quarta-feira, 20 de junho de 2018

terça-feira, 5 de junho de 2018

Economia Gig ou Acelerando na Direção da Robotização do Trabalho Humano


Desde que o mundo é mundo as transformações sociais, tecnológicas e econômicas afetam o mercado de trabalho e nos dias de hoje não é diferente. 



Estamos falando da economia Gig, o conceito da moda, que compreende o ambiente de trabalho marcado pelo trabalho temporário, sem vínculo empregatício. São os empregos sob demanda, os trabalhadores de aplicativos, sendo uma massa crescente de trabalhadores que têm essa modalidade de trabalho como seu emprego primário, ou como uma forma de complementar sua renda.

O avanço da tecnologia é um fator decisivo para o grande crescimento dessas relações de trabalho, que já respondem por 0,5% do produto interno bruto da economia americana. Os meios mais famosos que conhecemos são os aplicativos, como Uber, que contam com uma massa de mais de 500.000 motoristas nos EUA, mas já existem aplicativos dos mais variados desde atividades de reparos e manutenções caseiras, até aquelas mais especializadas como serviços de freelancers de tecnologia.

Um relatório do instituto inglês CIPD (Chartered Institute for Professional Development) de março de 2017 estima que existam 1,3 milhões de britânicos empregados na economia Gig.

No Brasil já existem vários movimentos na direção da economia Gig. É possível encontrar muita propaganda que trata essa modalidade de relação entre empregadores e empregados como uma “nova revolução no mercado de trabalho” ou um “novo mundo do trabalho” e já discute e detalha os “paradigmas que serão quebrados”. Segundo o IBGE o ano de 2017 se encerrou com 34,31 milhões de pessoas trabalhando por conta própria ou sem carteira, contra 33,32 milhões ocupados em vagas formais. Quantos desses podemos classificar como Gigs, até onde pude apurar, não há ainda informação disponível.

O fato é que usar trabalhadores sem vínculo empregatício reduz custos para as empresas. Se isso é bom e eficaz é uma outra conversa. Basta lembrar que muitas empresas seguem a ideia de que seus empregados são uma parte importante do negócio e sustentam que o vínculo com as pessoas (seus empregados que são centrais na sua estratégia) deve ser muito profundo, pois elas carregam o valor na relação com o cliente. Talvez nem todas as empresas pensem da mesma forma ou nem todos os empregados tenham esse status de serem centrais na estratégia e por isso os outros empregados, ou parte deles, possam trabalhar na modalidade Gig sem que isso afete a estratégia da organização. O que se verifica no mercado é que se uma empresa tem meios para reduzir custos, digo meios legais que não estejam fazendo a empresa descumprir as leis vigentes, ela usará esses meios.  
No Reino Unido, por exemplo, é possível contratar um empregado como “independente”. Isso significa que esse empregado não terá direito de receber o salário mínimo nacional, férias pagas, auxílio-doença e outros benefícios legais de um trabalhador regular. Por lá isso tem gerado muitos processos trabalhistas.

Seria o ambiente extremamente competitivo um indutor que faz as empresas buscarem condições de sobrevivência e crescimento esquecendo o bem estar das pessoas que nela trabalham? Será que o capitalismo está em crise e precisa de mudanças? Eu acredito que não é nada disso. Afinal de contas, o capitalismo vive e se reproduz em suas crises, saindo delas cada vez mais forte. Mas, por que motivo um indivíduo gostaria de trabalhar sem ter garantias legais e direitos? Parece que é evidente que a necessidade faz com que as pessoas aceitem as condições ditadas pelos empregadores.

Sobre as ações trabalhistas no Reino Unido podemos citar:
·         Em outubro de 2017 os motoristas da Uber ganharam o direito de serem classificados como trabalhadores ao invés de contratados independentes. A decisão de um tribunal trabalhista de Londres determinou que os motoristas do aplicativo deveriam ter direito a pagamento de férias, pausas pagas e o salário mínimo nacional. A Uber recorreu afirmando que estava agindo dentro da lei.
·         No final de 2017, um grupo de entregadores de alimentos que trabalhava para a Deliveroo disse que estava tomando medidas legais para obter reconhecimento sindical e direitos trabalhistas.
·         Em janeiro de 2018, um tribunal decidiu que uma mensageira da firma de logística City Sprint deveria ser classificada como operária e não como contratada independente, dando-lhe direitos básicos.

É evidente que existem questões trabalhistas diretamente relacionados com a economia Gig em vários países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Uber perdeu uma ação em primeira instância na Califórnia para um de seus colaboradores pleiteando direitos trabalhistas, mas está recorrendo. Nessa mesma linha, um trabalhador da Amazon escreveu a Jeff Bezos, CEO da empresa, dizendo “Sou um ser humano, não um algoritmo”.

No meio de toda essa discussão novas tecnologias apontam para aplicações avançadas de inteligência artificial e os robôs substituindo o trabalho humano. Será que se a tradicional mão de obra humana fosse trocada por robôs teríamos todos esses processos trabalhistas? Parece que não! Os robôs não se cansam, não ficam doentes, não reclamariam por aumento de salários, férias e auxílio doença. Para os empregadores esse seria o melhor dos mundos! Para o resto de nós, bem isso nós veremos! É isso aí. Até a próxima.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

O Agil Cético


Um artigo de Tomas Kejzlar de maio de 2017 sobre o que ele chama de “a velha falácia da bala de prata de novo”. Segue na linha do nem todo mundo pensa do mesmo jeito. Aproveitem!!! 


“A abordagem ágil é ótima se usada de maneira inteligente e apropriada, atendendo a uma necessidade real do usuário ou do cliente. Infelizmente, algumas aplicações do “Agile” são simplesmente estúpidas.

Por acaso eu amo queijo Feta (um tradicional queijo grego). Eu adiciono a muitos alimentos que eu como - de várias saladas a massas e até ensopados. Mas eu não vou comprar um sorvete com sabor de queijo Feta porque sei que seria horrível. Apenas um fanático por feta - ou uma pessoa muito estúpida - faria isso. Tudo tem seu tempo e lugar. 

Como o “Ágil” está ganhando reconhecimento (e está sendo comercializado e vendido como uma commodity como o molho picante), há cada vez mais idiotas tentando aplicá-lo em qualquer lugar - às vezes da maneira mais estúpida e prejudicial. Por quê?
Provavelmente porque é legal, e muitas pessoas estão vendendo muito. Então, podemos esperar ver essa disseminação mais ampla. Talvez nos digam na próxima conferência que todos nós devemos ter reuniões diárias com os nossos filhos, ou ter uma retrospectiva depois de passearmos com o cachorro, ou deveríamos planejar nosso jogo de pôquer enquanto decidimos o sabor de nossas pizzas. Claro que isso é ridículo. É a velha falácia da “bala de prata" de novo.

Aplicar "Ágil" de uma forma que é diretamente oposta ao que a agilidade deve significar, contrasta com o uso para entregar ótimos produtos que tornam o mundo um lugar melhor para os usuários, para as empresas que fabricam esses produtos e para as pessoas que os desenvolvem. 

Um exemplo recente: fui convidado para um encontro ágil com foco em "Agile in HR" (Agile em Recursos Humanos). Antes de ir para lá, dois pensamentos estavam em minha mente:
1. O Agile HR é um RH inexistente. Por que você precisaria de um departamento de RH? Não seria melhor transferir todas as funções de "RH" diretamente para as equipes e deixá-las cuidar de si mesmas? Elas poderiam assumir a responsabilidade de contratar novos membros da equipe, decidir em que treinamento investir e como dividir os bônus. Elas estariam fazendo isso em Buurtzorg (uma empresa holandesa, reconhecida por seu modelo de autogestão), afinal, e eles relatam que está funcionando maravilhosamente.
2. Por que você ainda quer ter um RH “ágil”? O RH não deveria ser a função que representa a estabilidade dentro da organização? Certamente você não quer que o pessoal de RH faça iterações (em ciclos semanais) sobre coisas como benefícios ou pagamento (“Nesta iteração, nós mudamos duas palavras na seção 8 de seus contratos. Por favor, assine e retorne para nós até o final da semana que vem, caso contrário seu salário para este mês não será processado”). É um absurdo. 

Surpreendentemente, o encontro acabou por se concentrar em outra coisa: contratar. E "Ágil" acabou por significar rápido e, por vezes, com falsas promessas de como as coisas funcionam na empresa. Esta não é apenas uma má idéia (primeiro: as pessoas logo descobrirão sobre as falsas promessas que você fez, segundo: mesmo em uma situação difícil e competitiva como a que temos agora, por que você não usaria todo o tempo disponível para que você e o candidato pudessem entender um ao outro?), mas também parece levar à contratação de gurus, ninjas e superstars. Você realmente não quer fazer isso a menos que seu objetivo seja sabotar a empresa. 

Outro exemplo que encontrei recentemente foi uma agência de marketing “Ágil”. Eles literalmente arrastavam seus clientes em "reuniões de revisão" semanais, onde mostravam todas as combinações de fontes do Google para fazê-los escolher uma – (essencialmente tentando terceirizar o trabalho que eles mesmos deveriam fazer), em vez de entender as necessidades de seus clientes, apresentar propostas e colaborar com seus clientes no aperfeiçoamento das mesmas. Mais uma vez, eles usaram um conceito que funcionava somente para eles (obtendo feedback do cliente antes de começar a produção em massa, validando suas ideias) de uma maneira errada e idiota. Nós temos que parar isso antes que esse tipo de atitude dê um nome ruim ao ágil. 

Da próxima vez que você quiser implementar o “Ágil” ou for confrontado com uma situação em que ele foi implementado, faça a si mesmo estas perguntas:

• Qual é a real necessidade de usar a agilidade aqui? O que estamos tentando alcançar?
• Se isso falhar, quais seriam os possíveis impactos?
• Estamos usando agilidade para aprender rapidamente novas coisas e melhorar nossos produtos ou processos? Ou estamos fingindo ser "ágeis" porque parece legal?

Se você não conseguir respostas satisfatórias para essas perguntas, não implemente o "Ágil". Pense mais sobre as maneiras pelas quais a verdadeira agilidade pode ajudar. Na situação de RH mencionada acima, as principais coisas seriam permitir que as equipes de entrega se auto-organizassem e melhorassem quaisquer processos relacionados a RH para tornar as equipes mais auto suficientes quanto possível. 

Você tem algum exemplo de “Ágil” sendo usado sem um propósito válido? Gostaríamos muito de ouvir você! Tenha cuidado onde você adiciona o queijo Feta macio e desintegrado. Há um lugar e um propósito, e colocar o Feta em um milkshake de morango faz tanto sentido quanto forçar o Agile no seu departamento de RH”.
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Ágil cético - o lugar onde nós enfatizamos provas e evidências em vez de histórias e anedotas. Onde enfatizamos o senso comum e a importância do contexto em vez do dogmatismo. Se você estiver interessado, também se junte ao nosso canal em skepticalagile.slack.com!
Sobre Tomas Kejzlar: Coach Ágil | Agente de Mudança | Consultor de Gestão Ágil e Lean | Palestrante | Escritor | CSP, CSM, CSPO, PSPO, SPS, LeSS CP MSD. Czech Technical University em Praga (República Checa).

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