sexta-feira, 22 de abril de 2022
quarta-feira, 13 de abril de 2022
Os Projetos são Sistemas Complexos
O gerenciamento de projetos vem passando
por grandes mudanças ao longo dos últimos anos, numa tentativa, penso eu, de
aumentar a probabilidade de sucesso dos projetos. E, sem dúvida, isso é fácil
de falar, mas difícil de realizar.
Aqueles que adotam o Guia PMBOK (até a
versão 6) no seu dia a dia como sua fonte de verdade acham essa afirmação um
tanto exagerada. De modo geral, para este grupo, uma boa execução depende de um
bom e amplo planejamento que contemple de forma adequada as dez áreas de
conhecimento detalhadas no referido Guia do PMI [Project Management Institute].
Além disso, o ciclo de vida de um projeto pode ser muito bem representado pelas
fases de iniciação, planejamento, execução – e dentro da execução se deve
controlar e monitorar o andamento do projeto - e, finalmente, a fase de
encerramento. Este tipo de abordagem tem sido adotado pelas organizações que
trabalham com projetos de longa duração (muitos meses), com equipes grandes,
com atividades que possuem muitas dependências entre si, além de orçamentos na
casa dos milhões. Será que, por exemplo, a moderníssima Tesla toma a decisão
sobre investir em um projeto para desenvolver um novo veículo espacial, de
milhões de dólares, sem um business case e um plano? Eu creio que não. São
projetos que podem ser subdivididos em etapas, mas o produto de cada etapa não
pode ser considerado como um produto mínimo viável que pode ser usado ou
consumido pelos clientes. Um prédio só se torna um produto após o término de
sua construção. Os alicerces não são um produto. As paredes de alvenaria não
são um produto. O estacionamento não é um produto. O telhado não é um produto.
Somente o prédio pronto é um produto que pode ser usado por seus compradores.
Da mesma forma isso se aplica a automóveis, aviões de passageiros, tratores,
satélites, túneis, poços de petróleo e veículos espaciais. Estes só se tornam
produtos viáveis quando seus projetos são totalmente concluídos. No entanto, vários
dos princípios ágeis podem ser adotados nestes projetos, melhorando a
comunicação, o trabalho colaborativo e muitos outros aspectos, mesmo que não
sejam criados produtos mínimos viáveis ao longo do projeto.
Já aqueles que trabalham com métodos
ágeis no seu dia a dia também sentem que todo o barulho sobre as mudanças no
gerenciamento de projetos reflete certo exagero. Para este grupo, que vive nas
bolhas digitais, tudo funciona perfeitamente bem dentro dos sprints, num mundo
que deve seguir as prescrições do método ágil adotado, com reuniões diárias de
pé, sempre no mesmo horário e local, fazendo estimativas usando, por exemplo, o
planning poker, não aceitando mudanças de escopo durante um sprint, respeitando
o poder de decisão do product owner e as orientações do scrum máster como uma
espécie de guru. Sim, eu dei o exemplo do método Scrum, por ser este o mais utilizado no planeta. Mas, antes que alguém diga, não estou
criticando os métodos ágeis, muito pelo contrário. Estou apenas buscando fazer
uma análise fria sobre este tema. Apesar
do conceito de agilidade transbordar para várias áreas nas organizações, tudo
começou na área de TI com o desenvolvimento de software. Apenas para
exemplificar, vale mencionar que várias organizações foram bem sucedidas
adotando os princípios da agilidade na gestão de projetos de desenvolvimento de
software. Uma pesquisa de Donald Reifer, publicada em 2017, confirmou
a eficácia dos métodos ágeis, com melhorias de 7% a 12% nos ganhos médios de
produtividade.
Ainda para colocar mais lenha nessa
fogueira, muitos especialistas concordam que a agilidade, quando aplicada em
escala, necessita de estruturas de trabalho específicas – os tais frameworks –
para que possa ser bem empregada em projetos de maior porte, com equipes
grandes e de longa duração. Os métodos ágeis convencionais, como
o Scrum e o XP (eXtreme Programming), não fornecem orientação
suficiente em aspectos que são relevantes para uma grande empresa como, por
exemplo, alinhamento de processos internos e gestão de riscos. E nessa linha
temos o SAFe (Scaled Agile Framework), o framework ágil em escala mais adotado
nas empresas até esse momento. Por sua vez, o PMI promove o Disciplined Agile
(DA), criado por Scott Ambler quando trabalhava na IBM/Rational em 2009 e,
depois de algum tempo, adquirido pelo PMI em 2019.
Não menos importante é o movimento de
integração de tecnologias de Inteligência Artificial e outras tecnologias
disruptivas à gestão de projetos. Um relatório do PMI identifica seis tecnologias com maior potencial de impacto no trabalho dos
gerentes de projetos: aprendizado de máquina (machine learning), aprendizado
profundo (deep learning), automação robótica de processos (RPA ou Robotic
Process Automation), gerenciamento de decisão, sistemas baseados em
conhecimento e sistemas especialistas.
Mas porque todo esse esforço? Para mim a
resposta dessa pergunta está no primeiro parágrafo desse artigo. É ainda um
desafio para as organizações em todo o planeta aumentar a probabilidade de
sucesso dos projetos. Uma forte evidência é que a taxa de
sucesso dos projetos é ainda baixa. Há dados sobre esse fenômeno em muitos sites que
podem ser facilmente acessados. Para trazer algo novo, encontrei um texto publicado
em fevereiro de 2022 pela empresa Monday, um conhecido fornecedor de ferramentas
de software dedicadas ao trabalho em equipe e a gestão de projetos, com o
seguinte título: 24 project management statistics you don’t want to miss in 2022 (24 estatisticas de gerenciamento de projetos que você
não pode perder em 2022).
Os dados apresentados nesse texto
afirmam que as demandas sobre os gerentes de projeto estão aumentando, mas,
infelizmente, os sistemas de gerenciamento de projetos não estão amadurecendo
na mesma proporção. Apenas 46% das organizações fazem do gerenciamento de
projetos uma prioridade cultural. Portanto, a maturidade do gerenciamento de
projetos não é valorizada. Em todas as organizações, 11,4% de todos os recursos são desperdiçados devido a
processos de gerenciamento de projetos inferiores. As pesquisas sugerem
que as organizações que não integram adequadamente o gerenciamento de projetos
em suas estratégias verão sua taxa de insucesso de projeto aumentar em um fator de 2/3. Apenas 43% das empresas relataram que “na maioria das vezes” ou
“sempre” concluem seus projetos dentro do orçamento estabelecido. Orçamentos mais altos estão correlacionados
com uma maior taxa de insucesso. A pesquisa revela que gastar
mais em um projeto pode significar que é mais provável que ele
falhe. Projetos em que a empresa gasta US$ 1 milhão ou mais falham com 50% mais frequência do que projetos em que US$
350.000 ou menos são gastos. As empresas que constroem práticas de projeto
sólidas desfrutam de uma série de benefícios. Em comparação com empresas sem
processos maduros de entrega de valor, elas têm maior probabilidade de atingir suas metas de projeto (77%
vs. 56%), permanecer dentro do orçamento (67% vs. 46%) e entregar no prazo (63%
vs. 39%), e menos propensos a sofrer com mudanças descontroladas do escopo (30% vs. 47%) ou falha
total do projeto (11% vs. 21%).
Portanto, não adianta viver e trabalhar com
base em dogmas, métodos prescritivos e receitas de bolo que supostamente
funcionam bem em qualquer situação. O bom senso manda fazer uma reflexão
honesta sobre cada situação, buscando iluminar as áreas cinzentas que
prejudicam uma tomada de decisão realmente adequada. Feito isso, podemos
decidir o que fazer. Quanto mais estivermos preparados, quanto mais
conhecimento tivermos ao nosso alcance, melhor será o resultado de nossa
análise.
Os projetos são sistemas complexos com múltiplos
fatores que podem influenciar seu resultado. Mesmo o menor dos projetos está
sujeito aos impactos causados por uma vasta rede de relações de causa e efeito.
Se imaginarmos como ponto de partida o resultado que o projeto entrega, este é
influenciado pelo desempenho das pessoas (com cooperação e trabalho em equipe),
pelo conhecimento (dominando todos os aspectos necessários e relevantes para o
projeto) dos membros dessa equipe e da sua assertividade (fazer as escolhas certas
e mais adequadas), pelo desempenho nos negócios da organização executora do
projeto (se a organização é bem sucedida, inovadora, está crescendo, isso ajuda
ao projeto) e pela cadeia de suprimentos da organização executora do projeto
(por obter vantagens de custo e logística, aumentando as chances de sucesso do
projeto). Por sua vez, o desempenho das pessoas é influenciado pelo ambiente
interno da organização, pela política, por seu bem estar e situação econômica
na sociedade. Já o desempenho nos
negócios de uma organização depende fortemente dos mercados em que atua e do
comportamento dos consumidores. E, na mesma medida, o comportamento dos
consumidores depende também do mercado e do custo dos bens e serviços. Ainda
dentro desse raciocínio, podemos dizer que o custo dos bens e serviços depende
dos mercados, do ambiente interno das organizações e da política. Evidentemente isso não é tudo, sendo possível adicional outros fatores de influência aos aqui apresentados e destacados na figura que está no início desse artigo. Mas, como para bom entendedor meia palavra basta, creio que já me fiz entender
Querendo ou não, esse é o mundo em que vivemos e é neste mundo que os projetos são feitos! A busca por conhecimento nunca é demais. Na verdade ela é absolutamente necessária se quisermos entender o que se passa a nossa volta. É o que nos fortalece e nos ajuda a pensar com nossas próprias cabeças. Portanto, antes de sair acreditando em teorias mirabolantes e métodos infalíveis apresentados de forma açucarada na propaganda de A ou de B, procure verificar os fatos. Ver o que é cada coisa e analisar os resultados concretos. Procure entender o que pode ser aplicado em cada situação e se uma ideia, não importando o carimbo a ela atribuído, pode realmente ajudar o seu projeto. É isso aí, até a próxima!
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sábado, 2 de abril de 2022
Mais Ameaças de Segurança Física em 2022
88% das empresas dos EUA agora enfrentam
mais ameaças de segurança física, informa artigo no website securitymagazine.com
publicado em 22 de fevereiro de 2022.
Em comparação com 2021, 88% dos
líderes de negócios e segurança observam um aumento nas ameaças físicas às suas
organizações. Neste terceiro ano da pandemia do Covid-19, à medida que as
empresas continuam com o trabalho híbrido - parte da equipe nos escritórios e
outra parte trabalhando em home Office - espera-se que os níveis de ameaças
físicas continuem a aumentar.
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Os controles de segurança física incluem
medidas de dissuasão, detecção e prevenção, implementadas para mitigar os
problemas de segurança física. As medidas de dissuasão visam desencorajar
aqueles que podem violar a segurança das pessoas. As medidas de detecção têm o
propósito de alertar, permitindo a detecção de possíveis invasores. Por sua
vez, os controles preventivos visam impedir a ocorrência de invasões. Isoladamente,
nenhum desses controles é uma solução completa, mas juntos, eles formam uma base
sólida para a segurança física. Proteger as pessoas é a preocupação principal
de um plano de segurança física.
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O citado artigo do website securitymagazine.com, cujo link pode ser encontrado no final
desse post, dá conta que estão ocorrendo conflitos significativos entre a administração das
empresas e seus funcionários, diretamente relacionados aos protocolos de saúde e
de segurança. A preparação para lidar com problemas de violência física nos
locais de trabalho tem sido considerada apenas reativa e inconsistente.
O relatório 2022 State of Protective Intelligence Report, um estudo encomendado pelo Ontic
Center for Protective Intelligence, pesquisou 359 diretores de segurança,
diretores jurídicos, diretores de conformidade, conselheiros gerais, diretores
de segurança física, advogados corporativos e tomadores de decisão de segurança
física nos EUA, em empresas com mais de 5.000 funcionários, para examinar como
estes vêm os desafios e oportunidades de segurança física se desdobrando em
2022.
Como parte de suas principais
conclusões, a referida pesquisa apontou que:
- 88% concorda que, em comparação com o início de 2021, as empresas
estão experimentando um aumento dramático de ameaças físicas.
- 88% reabriram escritórios e estão enfrentando conflitos
significativos entre a administração e os funcionários em relação aos
protocolos de saúde e segurança, bem como às políticas de trabalho na
modalidade home Office.
Os líderes de segurança física
relataram que seus principais desafios são o gerenciamento de dados de ameaças
(41%), as ameaças físicas à trabalhadores remotos (33%) e as ameaças físicas à
executivos no alto escalão (32%).
Para mais informações acesse >
https://www.securitymagazine.com/articles/97129-88-of-us-businesses-now-experience-more-physical-security-threats
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sábado, 26 de março de 2022
Tendências para 2022: Ainda na mesma toada!
Eu estava me perguntando se vamos continuar repetindo em 2022 as tais tendências que nos afetaram e ainda nos afetam no ambiente de trabalho e no contexto do gerenciamento de projetos, independentemente da área e do segmento de negócios, muitas das quais surgidas em anos recentes. Sim, essa pergunta não me sai da cabeça.
E para essa pergunta a resposta é sim, parece que vamos! Portanto, não são coisas exatamente novas, e nesse ponto vamos apenas chamá-las de coisas, embora reconheçamos sua enorme relevância no contexto das mudanças que estamos atravessando.
Sim, são coisas que nos afetam hoje e continuarão nos afetando no futuro em diferentes tipos de projetos e diferentes segmentos da indústria, havendo já muitos relatos que as comprovam. Estamos falando de coisas como a expansão da IA (Inteligência Artificial), do impacto da inteligência emocional, do que se convencionou chamar de data analytics, do trabalho remoto, das abordagens híbridas de gerenciamento de projetos e das ferramentas avançadas de gestão de projetos. Todas essas coisas, juntas e combinadas, que como tendências não são nada de novo.
Embora o que se faça com Inteligência Artificial receba mais atenção quando se trata de aplicações em áreas como saúde, finanças ou aeroespacial, já existem empresas usando a IA na gestão dos seus projetos. E o que essas empresas estão fazendo? Estão usando softwares de IA para realizar tarefas diárias, automatizando tais tarefas. As empresas que usam esses softwares de IA - e os gerentes de projeto por elas contratados - estão obtendo insights de desempenho dos projetos planejados e executados com tais softwares de Inteligência Artificial. Os softwares de IA permitem a automação de tarefas complexas, desde agendamento até visualização de dados e a tomada de decisões com base nos insights de desempenho capturados. Existe grande expectativa que o uso de softwares de IA pelos gerentes de projeto consiga produzir melhores estimativas de prazo e custos, possibilitando trabalhar com cronogramas e orçamentos mais realistas, além de reduzir os riscos de fracasso dos projetos.
Com a IA nada será como antes em todas as áreas do conhecimento, incluindo o gerenciamento de projetos. Mas isso não é uma conclusão exatamente nova, certo? É o que eu estava tentando dizer no início desse texto.
Um estudo da empresa McKinsey Global Institute sugere que, até 2030, agentes e robôs inteligentes poderão substituir até 30% do trabalho humano atual do mundo. A McKinsey sugere que, em termos de escala, a revolução da automação poderia rivalizar com o afastamento do trabalho agrícola durante os anos 1900 nos Estados Unidos e na Europa e, mais recentemente, com a explosão da economia chinesa. A McKinsey calcula que, dependendo de vários cenários de adoção, uma automação causará impacto entre 400 e 800 milhões de empregos até 2030, exigindo que até 375 milhões de pessoas mudem totalmente de categoria de trabalho.
Não precisa ser nenhum gênio para saber que o papel da educação em tudo isso é vital. Um país como o Brasil, com enormes problemas na educação, está fadado a sofrer para entender como lidar com novas tecnologias como a IA e data analytics. E não estou me referindo a um grupo seleto de professores universitários e de um punhado de empresas especializadas que conhecem esses assuntos. Me refiro ao conhecimento desses assuntos em escala industrial, capaz de gerar gente em quantidade, treinada e pronta para trabalhar. Sim, isso me preocupa e tudo indica que vamos sofrer mais do que deveríamos.
Tudo leva a crer que estamos ficando para trás e algo precisa ser feito para mudar esse cenário. Por isso é tão importante mudar a política do estado brasileiro, por que algo tão grande assim, tão importante para o país, não vai cair no nosso colo sozinho. Vamos precisar de uma nova política de desenvolvimento. Vamos precisar lutar para conseguir incorporar mecanismos que nos façam voltar a crescer, com novos projetos que ampliem nossa infraestrutura e desenvolvam nossa capacidade industrial, e evidentemente uma nova política nessa direção inclui fazermos um enorme esforço para melhorar e aprimorar a educação em nosso país. É isso aí, até a próxima!
Link para o estudo da McKinsey Global Institute
> https://www.mckinsey.com/featured-insights/future-of-work/jobs-lost-jobs-gained-what-the-future-of-work-will-mean-for-jobs-skills-and-wages
sexta-feira, 18 de março de 2022
A Guerra do Reparo
Cory Doctorow é jornalista, escritor e ativista. Em fevereiro de
2022 ele publicou o artigo “Repair Wars: Cory Doctorow on the State of Right to
Repair” (Guerras de Reparo: Cory Doctorow sobre o Estado do Direito de Reparar)
no site makezine.com, sobre o qual incluímos abaixo uma tradução livre.
O artigo nos ajuda a compreender como funciona a mentalidade de
grandes empresas globais. Portanto, daqui para frente, aspas para Cory Doctorow.
“Em janeiro de 2019, o CEO da Apple, Tim Cook, publicou sua carta
anual aos acionistas e, com ela, um aviso terrível aos investidores da Apple: o
mercado do iPhone estava esfriando, porque os clientes da Apple estavam
segurando seus telefones por mais tempo, fugindo dos custos da atualização
anual, consertando as telas quebradas por eventuais quedas ao invés de usar
isso como motivo para uma atualização.
Isso é o que significa “dizer em voz alta o que se costuma manter
em silêncio”. A carta de Cook foi o ponto alto de 2018, um ano em que a
empresa derrotou 20 ações na justiça em estados norte americanos de “direito de
reparo” – processos que teriam forçado a Apple e outras empresas, de John Deere
a Wahl (famosa por suas máquinas de cortar cabelo) a facilitar os reparos por
centros de serviços independentes. Essas foram lutas amargas, nas quais
ativistas de reparos – ambientalistas, fabricantes, defensores dos direitos
digitais e representantes de lojas de consertos – imploraram aos legisladores
que fizessem a coisa certa, enquanto seus adversários corporativos alertavam
que o reparo independente daria início a uma era de dispositivos que “vazam
seus dados ou explodem na sua cara”. Esses argumentos contrários ao reparo
independente tinham poucas evidências, mas os legisladores os aceitaram mesmo
assim. Essa foi uma boa notícia para a Apple e qualquer outra empresa que
quisesse aumentar seus lucros. Atacar o reparo independente permitiu que
os fabricantes obtivessem enormes lucros com seus serviços de reparo,
congelassem os rivais que fabricavam peças de reposição e, o melhor de tudo, ter
o poder de decisão sobre quando um dispositivo estava no estado de “além do
reparo”, para que os clientes fossem forçados a “atualizar” para um novo.
Por que precisamos consertar as leis em primeiro lugar? Por
que as oficinas de conserto e os fabricantes de peças terceirizados não
colaboraram para consertar nossos telefones, laptops, barbeadores, Xboxes,
carros e tratores, com ou sem a ajuda dos fabricantes originais?
Bem, eles podem... mais ou menos. Durante anos, a iFixit - um
grande herói da revolução de reparos - produziu manuais de reparo
independentes, não oficiais, não autorizados, gratuitos e de acesso aberto para
todos os tipos de dispositivos. A iFixit faz esses manuais sem a ajuda dos
fabricantes, desmontando aparelhos e descobrindo como funcionam e os meios necessários
para consertá-los. Da mesma forma, empresas terceiras fabricam peças de
reposição para os produtos que usamos. Às vezes, essas são peças padrão
que qualquer um pode fabricar lendo as especificações, e outras vezes também
fazem parte da guerra de guerrilha entre fabricantes e reparadores, criada por
meio de engenharia reversa astuta.
Tornando Difícil o Reparo
Com guias de reparo independentes e manuais de terceiros, o setor
de reparo independente deve ter tudo que precisa para fazer seu trabalho ou
mostrar como um produto pode ser consertado sem a intervenção dos fabricantes. Os
fabricantes fizeram grandes esforços técnicos para evitar isso – camuflando o
funcionamento de seus produtos, digamos, ou projetando-os para exigir
ferramentas especiais apenas para abri-los – mas neste campo de batalha, os
desafiantes (reparo independente) sempre tiveram uma vantagem sobre os
defensores (fabricantes).
Uma empresa que torna seus dispositivos completamente irreparáveis por terceiros quase certamente tornará esses dispositivos impossíveis de
serem consertados por seus próprios técnicos de reparo (e provavelmente
impossíveis de serem usados por seus próprios clientes). Assim, a guerra contra o reparo independente passou em grande parte da
frente técnica para a seara legal. Os fabricantes usam um conjunto de
teorias jurídicas – muitas vezes distorcidas além do reconhecimento ou sentido
– para manter seu monopólio sobre o reparo. Vejamos, por exemplo, a lei de
direitos autorais.
Em 1998, Bill Clinton assinou a lei Digital Millennium Copyright
Act (DMCA), e a Seção 1201 do DMCA torna crime fornecer ferramentas ou
informações que ajudem a contornar um “controle de acesso” para um trabalho
protegido por direitos autorais. Originalmente, isso foi usado para tornar
crime o ato de dizer a alguém como desregionalizar um DVD player (para que este
pudesse reproduzir discos do exterior) ou fazer o jailbreak de seu Sega Dreamcast (para que este pudesse executar
jogos homebrew). Os fabricantes de consoles de jogos e DVDs argumentaram
que os sistemas operacionais embutidos que aplicavam essas restrições eram
“trabalhos protegidos por direitos autorais” mencionados no DMCA, e que as
travas digitais que impediam alguém de alterar esses sistemas operacionais eram
“controles de acesso”. Como a alteração do sistema operacional envolvia
ignorar um controle de acesso, qualquer coisa que alguém fizesse ao sistema
operacional sem a aprovação do fabricante violava a DMCA 1201, e fornecer a
alguém ferramentas ou instruções para fazê-lo tornou-se um crime punível com
pena de prisão de 5 anos e multa de US$ 500.000 por uma primeira ofensa. Ainda
hoje, esta relíquia do século passado é uma tática usada para bloquear o reparo
independente.
A empresa John Deere é uma verdadeira pioneira aqui: eles
incorporam microchips baratos em suas peças de reposição. Depois que a
peça é instalada, ela deve ser “inicializada” com um código de desbloqueio antes
que o restante do mecanismo a aceite. Isso permite que a empresa insista
que os agricultores que consertam seus próprios tratores paguem um técnico para
tornar solene o reparo digitando uma senha no console do trator, cobrando até
US$ 200 por uma "chamada de serviço" inútil - e como bônus adicional,
esse handshake criptográfico permite
que os tratores da John Deere detectem e recusem peças de terceiros ou peças recondicionadas,
da mesma forma que uma impressora a jato de tinta que se recusa a imprimir com
cartuchos de tinta recarregados.
Esse processo está ainda mais associado à indústria automotiva,
onde é chamado de “VIN-locking” – ou seja, travamento de peças através do VIN
(Vehicle Identification Number) ou número de identificação do veículo. Mas,
embora o bloqueio VIN possa ter começado em carros e tratores, ele se espalhou
em todos os gadgets com um microchip, ou seja, em todos os gadgets.
Isso veio à tona durante a pandemia, graças ao uso do VIN-locking
da Medtronic para evitar reparos em seu ventilador PB840. A Medtronic é a
maior empresa de tecnologia médica do mundo que obteve grandes economias quando
foi comprada por uma empresa irlandesa na maior “fusão reversa” da história. Com
a bandeira irlandesa a Medtronic praticamente eliminou seus custos com impostos,
ficando com mais dinheiro para neutralizar os concorrentes.
[O ventilador PB840 gerencia o trabalho respiratório do paciente e
promove a respiração mais natural. A Medtronic possui ventiladores pulmonares
que colaboram com a recuperação do paciente por meio de tecnologias inovadoras
que promovem uma respiração mais natural].
Os técnicos que trabalham em hospitais estão acostumados há muito
tempo a fazer seus próprios reparos. Quando alguém tem um paciente no
pronto-socorro, não pode esperar três dias para que o técnico de reparo do
fabricante apareça e troque uma peça ou conserte uma solda ruim. A
Medtronic criou a narrativa de que suas táticas de bloqueio de VIN eram uma
preocupação com a segurança do paciente, quando na verdade tratava-se de uma
forma de extrair dinheiro dos hospitais. Se a Medtronic realmente se
preocupasse com a segurança dos pacientes, priorizariam o suporte técnico para os
técnicos que trabalham localmente nos hospitais, em vez de criar um mundo cheio
de ventiladores quebrados em armários empoeirados, aguardando a visita de um
técnico oficial do fabricante.
Resposta Secreta
Tudo isso piorou muito durante a pandemia, claro. Da noite
para o dia, a necessidade de ventiladores disparou – assim como estar sob lockdown (restrição imposta devido à
pandemia da Covid-19) significava que os técnicos da Medtronic não podiam simplesmente
pegar um avião e ir aos hospitais onde os ventiladores estavam quebrando. Para
a sorte dos doentes e moribundos do mundo, um técnico polonês foi
desonesto. Esse técnico anônimo era um ex-reparador da Medtronic que tinha
guardado o software usado para inicializar as travas de VIN (VIN-locking) após
novos reparos. Ele fez engenharia reversa de sua rotina de assinatura
criptográfica e inventou um dispositivo baseado em microcontrolador que poderia
inicializar um reparo em campo. Ele improvisou e fez pequenos dispositivos
eletrônicos e os enviou para hospitais de todo o mundo. Os técnicos desses
hospitais foram capazes de canibalizar peças (tirar peças de um dispositivo e
usar em outro) tornando funcionais vários ventiladores quebrados.
O bloqueio de VIN é um incômodo globalmente atraente. A
desonesta tecnologia polonesa da Medtronic permaneceu anônima porque a Polônia
faz parte da União Europeia (UE), e a UE imprudentemente permitiu que o
Representante Comercial dos EUA a pressionasse a adotar sua própria versão do
DMCA 1201 no artigo 6 da Diretiva de Direitos Autorais da UE de 2001. O
Canadá obteve sua versão em 2012, o México obteve uma em 2020 e, da mesma
forma, o resto do mundo – Austrália, Rússia, América Central, nações andinas –
adotaram suas próprias versões.
A existência de uma malha global de leis que dizem que os
proprietários de dispositivos não podem alterá-los ou repará-los sem a
aprovação do fabricante é um poderoso incentivo para o mal [materializado
através do abuso dos fabricantes]. A Apple anunciou repetidamente novos
iPhones que usam o bloqueio de VIN para evitar substituições de tela feitas por
reparadores independentes, tendo que recuar desse anuncio apenas depois de
protestos públicos.
Paradas da Cadeia de Suprimentos
A DMCA 1201 não é a única barreira legal para reparo. Os
fabricantes usam reivindicações de patentes falsas para impedir a importação de
peças de reposição de terceiros na fronteira e usam reivindicações de marcas
registradas para impedir que peças recondicionadas entrem nos EUA, dizendo que
seus próprios produtos se tornam “falsificados” no minuto em que são revendidos
como usados. Além disso, os fabricantes usam termos de serviço e acordos de
licença de usuário final para intimidar e bloquear reparos independentes,
alegando que as leis de segurança cibernética (como o Computer Fraud and Abuse
Act de 1986) e estranhas teorias de direito contratual sobre “interferência
tortuosa” transformam o reparo independente em uma questão civil e/ou criminal.
Isso é totalmente injusto, é claro, condenando o mundo a se afogar em lixo
eletrônico à medida que os dispositivos são descartados em vez de serem
consertados. Mas também é economicamente catastrófico, porque o setor de
reparo independente é um motor de crescimento econômico: de acordo com a Repair Coalition,
reciclar uma tonelada de lixo eletrônico cria 15 empregos, enquanto consertar
essa mesma montanha de coisas quebradas cria 150 empregos – com trabalhos em
pequenas empresas que atendem suas comunidades (em geral, os reparos
independentes respondem por impressionantes 4% do PIB dos EUA).
A guerra contra o reparo visa
diretamente matar esses empregos. Quando uma indústria
consegue dificultar ou impossibilitar o reparo independente por cinco ou dez
anos, garante que essas pequenas empresas serão fechadas. Que local de
conserto de telefones poderia sobreviver por meia década sem poder consertar
iPhones? Mesmo que o setor de reparo independente - e a comunidade de
fabricantes - consigam encontrar uma maneira de contornar os impedimentos
levantados pelos monopolistas da Big Tech, cada jogada anti reparo reduz o
número de técnicos que podem se estabelecer.
[Big Techs são as grandes
empresas de tecnologia que dominam o mercado. Majoritariamente localizadas no
Vale do Silício, nos EUA, elas começaram como pequenas startups, criando
serviços inovadores, disruptivos e escaláveis. Na prática, com seu
explosivo crescimento, grande poder e força de mercado, essas empresas passaram
a moldar a forma como as pessoas trabalham e se comunicam].
Não vamos perder de vista o que
está em jogo aqui: o reparo independente é importante por dar as pessoas o direito
de decidir se um produto adquirido serve ou não, quando é hora de aposentar
esse produto e passar para um novo. Este é o direito à
autodeterminação tecnológica!
Uma Pequena Vitória
Enquanto escrevo estas
palavras, a Apple fez o que pareceu ser um pedido de paz na guerra contra o
reparo. Em novembro de 2021, a empresa anunciou que começaria a vender
ferramentas e peças para que os próprios clientes pudessem fazer seus reparos. O
anúncio agitou esse ambiente de disputa, mas ao mesmo tempo, foi preocupantemente
vago: a Apple é uma empresa na vanguarda da guerra contra o reparo, e há muitas
maneiras de implementar seu programa de reparo do proprietário para torná-lo
efetivamente inútil (digamos, insistindo que os reparos domésticos exijam a
troca de conjuntos inteiros em vez de componentes individuais, o que tornaria a
substituição de uma tela quase tão cara quanto a compra de um novo telefone). Além
disso, a mera existência de um programa de reparo do proprietário poderia ser utilizada
como um pretexto para eliminar futuras ações de direito de reparo que protegem
o reparo independente e que exigem que os fabricantes produzam peças que possam
ser substituídas e manuais que expliquem como fazê-lo. É ótimo que a Apple
tenha decidido permitir que seus clientes façam seus próprios consertos, mas,
em última análise, isso não deveria ser uma decisão da Apple. Você comprou
seu iPhone, você o possui. Quem conserta é sua decisão - e o mesmo vale
para tratores, ventiladores, barbeadores e todos os outros aparelhos”.
Link
para o artigo original > https://makezine.com/2022/02/07/repair-wars/
Mais
de 53 milhões de toneladas de equipamentos eletroeletrônicos e pilhas são
descartadas em todo o mundo, segundo o The Global E-waste Monitor 2020. O
Brasil é o quinto maior gerador desse lixo no mundo. Mesmo assim, muita gente
ainda não sabe o que é esse tipo de resíduo e como ele deve ser descartado para
evitar danos ao meio ambiente e à saúde humana.
Para
mais informações acesse > https://www.spacemoney.com.br/agencia-brasil/brasil-e-o-quinto-maior-produtor-de-lixo-eletronico/172275/
terça-feira, 8 de março de 2022
O Impacto da Inteligência Emocional na Gestão de Projetos
A Inteligência emocional vem impactando o
gerenciamento de negócios. Os líderes nas empresas reconhecem que um ambiente
de trabalho positivo pode ajudar a atrair os melhores talentos, impulsionar o
engajamento dos funcionários e afetar a lucratividade e o desempenho. O líder moderno e do futuro integra os
domínios da lógica e da emoção.
Não tem muito tempo, o Fórum Econômico Mundial classificou a Inteligência Emocional como uma das 10 habilidades de trabalho mais importantes para o ano de 2020. Reforçando essa ideia, em artigo de 25 de janeiro de 2022, publicado no HBR (Harvard Business Review), Daniel Limon e Bryan Gesso afirmam que a inteligência emocional é tão importante quanto qualquer “habilidade difícil” e investir nela ajuda indivíduos e equipes a terem sucesso no trabalho.
A inteligência emocional se refere às competências relacionadas a lidar com emoções, que incluem as chamadas soft skills, especialmente conectadas com as interações com outras pessoas. Daniel Goleman, psicólogo, escritor e PhD da Universidade de Harvard, é o responsável por popularizar o conceito de inteligência emocional através de seu livro “Inteligência Emocional”, lançado em 1995, em que discute o QE (Quociente Emocional) e o QI (Quociente de Inteligência). O modelo de Goleman posiciona a inteligência emocional como o conjunto de competências e habilidades fundamentadas em cinco pilares:
- Autoconsciência: capacidade de reconhecer
as próprias emoções;
- Autorregulação: capacidade de lidar com
as próprias emoções;
- Automotivação: capacidade de se motivar e
de se manter motivado;
- Empatia: capacidade de enxergar as situações
pela perspectiva dos outros;
- Habilidades sociais: conjunto de
capacidades envolvidas na interação social.
Além disso, Goleman identifica doze domínios como sendo os principais para desenvolver a inteligência emocional: autoconhecimento emocional, autocontrole emocional, adaptabilidade, orientação para realização, perspectiva positiva, empatia, consciência organizacional, influência, coach e mentoria, administração de conflitos, trabalho em equipe e liderança inspiradora.
O leitor que nos acompanha pode estar se perguntando como a capacidade de entender e reconhecer emoções tem algo a ver com o sucesso do projeto? Bem, o papel da inteligência emocional é vital. Afinal de contas, gerenciar projetos vai além de definir o escopo, estabelecer prazos e controlar o orçamento, uma vez que os gerentes de projeto também precisam gerenciar pessoas. Para lidar com diferentes personalidades e garantir o sucesso do projeto é necessário uma compreensão adequada das emoções (suas e dos outros) – sendo esta uma habilidade de liderança necessária para gerentes de projeto em todo o mundo. Assim, aprender a arte das emoções e o que impulsiona as pessoas está se tornando cada vez mais importante para prever o sucesso de um projeto.
É isso aí, até a próxima!
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022
Chefes Ruins e Manipuladores!
Chefes ruins e manipuladores usam
muitas estratégias diferentes para se comunicar, mas a intenção é sempre a
mesma: fazer com que o empregado, seu subordinado, priorize os interesses do
chefe, podendo estes ser coincidentes ou não com os interesses da
empresa.
Ninguém gosta de trabalhar em um ambiente tóxico que está sendo manipulado pelo chefe. Ninguém gosta de trabalhar sem saber o que está acontecendo. Para que estamos fazendo isso? Qual a meta desse trimestre que temos que alcançar? Como estão os nossos resultados? Como estamos em relação aos concorrentes? Se o chefe mente, omite ou manipula a verdade, isso não é nada bom.
Há chefes que mentem para seus
subordinados achando que estão mantendo todos “bem protegidos”, sabendo apenas
o mínimo necessário. Como se a verdade fosse uma coisa ruim, da qual as pessoas
precisam se proteger. Sim, são eles (e elas) que decidem sobre o que está
incluso nesse tal mínimo necessário que é permitido conhecer. Com isso eles (e
elas) se sentem poderosos, pois fazem parte do seleto grupo de privilegiados
detentores das informações “confidenciais”. Sim, é evidente que existem
informações confidenciais que devem ser mantidas em sigilo. Mas, nem tudo
pertence a essa classe de informações. É um lance de poder mesmo!
Há chefes que cometem o erro de
filtrar informações para a própria empresa que lhes paga os salários. Essa
omissão da verdade, ou comunicação de uma verdade parcial, funciona como uma
defesa para o chefe mentiroso, quando acontece de certos resultados não
favoráveis serem propositalmente omitidos. Esse tipo de comportamento coloca a
empresa em risco, com potencial de causar danos significativos.
Há um perigo iminente quando se
trabalha com chefes que “estão sempre certos”, que usam “espiões” no ambiente
de trabalho, que são injustos e/ou são mentirosos descarados.
Há chefes que
nunca admitem que estão errados. Eles (e elas) estão sempre botando a culpa,
por seus erros, em outra coisa ou pessoa. A culpa pode ser do mercado, da
equipe, ou qualquer outra coisa, menos deles. Esse comportamento transmite uma
mensagem negativa que constrange os funcionários.
Há chefes com
dificuldades de se comunicar e que desconfiam da própria sombra. Esses
indivíduos costumam usar espiões, outros funcionários que se prestam ao papel
de relatar tudo que acontece para o chefe. Essa prática de utilizar dedos duros
e zelosos espiões acaba criando um clima de desconfiança e medo, além de
demonstrar insegurança do próprio chefe.
Há chefes injustos, que cultivam favoritismos, por eles (e elas)
tratados como animais de estimação. Esses pets favoritos do chefe recebem
tratamento especial, sejam eles melhores ou piores do que os outros
colaboradores. Isso, não importa. É favoritismo puro e simples. A razão que
torna alguém um pet favorito é muito variada, podendo ir do simples puxa-saquismo
até a luxuriosa concessão de favores sexuais. Para esses chefes não existe essa
do “onde se come o pão, não se come a carne”. Pra eles é “tudo que vier, tá
valendo”. E ainda que “os fins justificam os meios”. Assim sendo, a regra magna
dessa gente é: “primeiro eu, segundo eu e terceiro eu”. “Só existe justiça se
for bom pra mim”, diria um desses chefes. Talvez a seguinte mensagem devesse
vir impressa nos maços de cigarro: “os chefes injustos causam doenças e
deveriam ser interditados pela saúde pública”.
Agora, nada mais duro e perigoso que trabalhar com um chefe que mente
de forma desavergonhada. Esse é o tal chefe descaradamente mentiroso! O difícil
é conseguir lidar com as mentiras do chefe de tal forma que isso não cause
problemas. De novo, voltando ao começo do que estávamos falando, um chefe
que mente pode fazê-lo para, sempre que necessário para ele (ou ela), colocar a
culpa de seus próprios erros em outra pessoa, que pode ser o seu subordinado.
Um chefe controlador faria
qualquer coisa para vencer e dominar, mesmo que isso signifique prejudicar seus
próprios funcionários. Ele (ou ela) não está nem aí para seus subordinados.
Como diz o ditado, “na briga entre o mar e o rochedo, quem se ferra é o marisco”.
Saia de perto dessa briga por dominação de um chefe com essa característica. Por
sua vez, um chefe manipulador pode fazer seu subordinado aceitar que a vida é
assim mesmo e que por isso deve permanecer em um emprego ruim por muito mais
tempo do que deveria. Quer saber? Para esse tipo de gente não existe outra
saída. Se você não consegue ou não está disposto a conviver com essas criaturas
de merda o melhor que tem a fazer é atualizar seu currículo e começar a procurar
um novo emprego o mais rápido possível. É isso aí, até a próxima!


