terça-feira, 22 de setembro de 2020

SQUADS para implementar agilidade organizacional

Muito tem se falado nos squads, equipes multidisciplinares que trabalham com agilidade. Essa ideia, implementada para valer na Spotify à partir de 2011, tem sido adotada em muitas empresas pelo mundo e também aqui no Brasil.




Por conta da necessidade de transformação digital, o ambiente de trabalho ágil está se tornando cada vez mais comum. Uma pesquisa da McKinsey, com mais de 2.500 pessoas em empresas de diferentes tamanhos, verificou que 37% dos entrevistados disseram que suas organizações estavam implementando ações relacionadas a transformação ágil. Essa mudança é impulsionada pela prova de que equipes pequenas e multidisciplinares das organizações ágeis podem responder com rapidez e prontidão às oportunidades de mercado e às demandas dos clientes em constante mudança. Essas equipes chamadas de squads têm grande autonomia. 

No Brasil já existem empresas que adotaram a agilidade organizacional através de squads. Uma rápida pesquisa no Google e no Youtube mostrará vários casos de squads em empresas que operam em território brasileiro como, por exemplo, Nubank, Whirlpool, Unilever, Natura e Vivo.

O texto “Scaling Agile @ Spotify with Tribes, Squads, Chapters & Guilds”, de Henrik Kniberg & Anders Ivarsson, datado de outubro de 2012, apresenta a ideia geral dos squads. Aqui, nesse post, vamos apresentar os conceitos principais sobre esses squads. Há dezenas de websites com artigos, entrevistas e videos que tratam desse assunto e recomendamos que o leitor acesse esse material caso deseje se aprofundar no assunto. O texto acima mencionado pode ser facilmente encontrado através de uma pesquisa no Google. Entretanto, se o seguidor do blog tiver dificuldade em encontra-lo, terei prazer de enviar por email.

Scaling Agile @ Spotify (um resumo do texto original) –

Lidar com várias equipes em uma organização de desenvolvimento de produto é sempre um desafio! Um dos exemplos mais impressionantes que vimos até agora é o Spotify, que manteve uma mentalidade ágil apesar de sua expansão para mais de 30 equipes em 3 cidades.

O Spotify é uma empresa fascinante que está transformando a indústria musical. A empresa existe há apenas 6 anos e já tem mais de 15 milhões de usuários ativos e mais de 4 milhões de pagantes. O próprio produto pode ser comparado a um reprodutor de música mágico no qual você pode encontrar e tocar instantaneamente todas as músicas do mundo.

Então, como isso é gerenciado? Nós já apresentamos em conferências e fomos pegos em discussões envolventes sobre como trabalhamos no Spotify e como a empresa lida com agilidade com centenas de desenvolvedores. Muitas pessoas são fascinadas por isso, então decidimos escrever um artigo sobre isso.

Squads - Um squad é semelhante a uma equipe Scrum, e é projetado para parecer uma mini-startup. Eles se sentam juntos, e eles tem todas as habilidades e ferramentas necessárias para projetar, desenvolver, testar e liberar para produção. Eles são uma equipe auto-organizada e decidem sua própria maneira de trabalhar - alguns usam sprints (do Scrum), alguns usam Kanban, alguns usam uma combinação dessas abordagens. Cada squad tem uma missão de longo prazo, como construir e melhorar o cliente Android, criando a experiência de rádio Spotify, dimensionando os sistemas de back-end ou fornecendo soluções de pagamento.

Um squad não tem um líder de esquadrão (chefe) formalmente nomeado, mas tem um product owner. O product owner é responsável por priorizar o trabalho a ser feito pela equipe, mas não está envolvido com a forma como eles fazem o trabalho deles. Os product owners de diferentes squads colaboram uns com os outros para manter um documento de roadmap de alto nível que mostra para onde o Spotify como um todo está se dirigindo, e cada product owner é responsável por manter uma carteira de produtos (product backlog) correspondente para seu squad.

Tribos - Uma tribo é uma coleção de squads que trabalham em áreas relacionadas - como no tocador de música ou na infraestrutura de back-end. A tribo pode ser vista como uma “incubadora” das mini-startups e tem um certo grau de liberdade e autonomia. Cada tribo tem um líder que é responsável por fornecer o melhor ambiente possível para os squads dentro daquela tribo. Os squads de uma tribo estão todos fisicamente no mesmo escritório, normalmente ao lado uns dos outros, e as áreas de lazer próximas promovem a colaboração entre os times.

As tribos são dimensionadas com base no conceito do "número de Dunbar", que diz que a maioria das pessoas não pode manter um relacionamento social com mais de 100 pessoas (O Spotify adotou o número 100, embora o número de Dumbar seja 150. Ver artigo sobre o número de Dumbar aqui!). Quando grupos ficam muito grandes, começamos a ver mais coisas  como regras restritivas, burocracia, política, camadas extras de gestão e outros resíduos. Portanto, as tribos são projetadas para ter menos de 100 pessoas.

Com vários squads, sempre haverá dependências. Dependências não são necessariamente ruins – squads às vezes precisam trabalhar juntos para construir algo realmente incrível. No entanto, nosso objetivo é ter squads que sejam tão autônomos quanto possível, especialmente minimizando dependências que possam causar bloqueios ou retardos.

Uma fonte comum de problemas de dependência em muitas empresas é o desenvolvimento versus operações. A maioria das empresas com as quais trabalhamos têm algum tipo de transferência do desenvolvimento para operações, com atrito associado e atrasos. Na Spotify, há uma equipe de operações separada, mas seu trabalho não é liberar os squads – seu trabalho é dar aos squads o suporte de que precisam para liberar o código por conta própria; suporte na forma de infraestrutura, scripts e rotinas. Eles estão, de certo modo, “construindo o caminho para a produção”.

Capítulos e Guildas – Os Capítulos e Guildas são a cola que mantém a empresa unida, e nos dá algumas economias de escala sem sacrificar muita a autonomia. O Capítulo é uma pequena família de pessoas com habilidades semelhantes, trabalhando dentro da mesma área de competência e dentro de uma mesma tribo.

Cada Capítulo se reúne regularmente para discutir sua área de especialização e seus desafios específicos - por exemplo o Capítulo de teste, o Capítulo de desenvolvedores web ou o Capítulo de backend. O líder do Capítulo é o gerente de linha dos membros do Capítulo, com todas as responsabilidades tradicionais, como desenvolver pessoas, definir salários, etc. No entanto, o líder do Capítulo também faz parte de um squad e está envolvido no trabalho do dia a dia, que o ajuda a ficar em contato com a realidade.

Uma Guilda é uma "comunidade de interesse" mais orgânica e abrangente, um grupo de pessoas que deseja compartilhar conhecimento, ferramentas, código e práticas. Os Capítulos são sempre locais para uma tribo, enquanto uma Guilda geralmente corta toda a organização. Alguns exemplos são: a Guilda de tecnologia da web, a Guilda de testadores, a Guilda de treinadores, etc.

O Spotify cresceu muito rápido - ao longo de 3 anos, crescemos de 30 para 250 pessoas em tecnologia - então temos nossa parte da dor de crescimento! Este modelo de escala - com squads, tribos, capítulos e guildas - é algo que foi introduzido gradualmente ao longo do ano passado, por isso as pessoas ainda estão se acostumando a ele. Mas até agora, com base em pesquisas e retrospectivas, o modelo parece estar funcionando muito bem! No entanto, como acontece com qualquer organização em crescimento, as soluções de hoje geram os problemas de amanhã. Então fique sintonizado, a história não acabou: o).

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Nubank -

As demandas são definidas e priorizadas de acordo com os OKRs (Objectives & Key Results) do squad, que são determinados de acordo com os OKRs da empresa, e com os ganhos/gastos previstos por modelos que as pessoas que trabalham com BA (Business Analytics) analisam. Se uma determinada tarefa tem potencial de fazer com que o squad atinja algum ou alguns OKR(s), então ela é detalhada, discutida com todos os chapters (Capítulos) que serão envolvidos, antes de ser feita. Em geral, o prazo não é o componente mais crucial de um OKR, - dado que não passamos por cima da qualidade para cumprir um prazo. No entanto, como um dos valores da empresa é “We think and act like owners, not renters” (“Nós pensamos e agimos como donos, não como inquilinos"), a grande maioria das pessoas quer “shipar” - colocar coisas em produção. A ideia de entrega contínua é forte e existem ferramentas internas feitas para garantir que tudo que seja produzido, vá para experimentação do público - que às vezes são os próprios Nubankers (colaboradores do Nubank) - o mais rápido possível, com a maior qualidade e de forma mais eficiente. Quando algo está muito repetitivo e tomando muito tempo do time, automatizamos. Expressões como "feedback rápido" e "vamos aprender a não ter medo de errar" são comumente ouvidas nos corredores” (Kete Martins Rufino. Clique no link abaixo para ler a matéria completa).

 

https://medium.com/mulheres-de-produto/como-funcionam-os-squads-no-nubank-e1194a6f2a9e

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Natura -

“A gente aprovou com nosso vice-presidente a estrutura do lab e como ele funcionaria. Depois, combinamos com ele que pediríamos mais desculpas que permissão e em alguns processos conseguimos quebrar as burocracias. Isso é muito simbólico porque estamos falando de uma empresa gigante, a Natura é muito grande, tem muitos processos, muitos comitês, toda decisão aqui é muito compartilhada.

A gente não tinha um squad oficial, a gente montou um time exclusivo focado só nos testes que estávamos fazendo aqui dentro do Movimento Natura. Grandes times de trabalho multidisciplinares comprometiam muito o propósito da entrega final. Entendemos então, que times grandes não dão certo.

Quando a gente chega à conclusão de qual teste que a gente vai fazer e qual a solução que a gente vai testar, chamamos a pessoa do time daquela área que provavelmente será a área de quando o teste for validado. Se for validado ela vai escalar. A pessoa que participa desde o começo do time está muito engajada, e vai conseguir implementar isso com velocidade, e com mais agilidade também” (Diana Guimarães. Clique no link abaixo para ler a matéria completa).

https://www.ubistart.com/blog/natura-como-montar-squads-para-desenvolvimento-de-testes/

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Vivo –

“Para Luiz Medici, vice-presidente de Inteligência Artificial da Vivo, o grande impulso para começar a organizar o trabalho em squads veio das empresas digitais. A Vivo viu a entrada de players digitais alcançando resultados muito rápidos e entendeu que um dos catalisadores disso era a forma de trabalho em ambientes colaborativos. "Para competir nesse mercado novo digital, precisamos nos reinventar." A operadora começou a usar grupos de trabalho em 2018, com o laboratório digital. Agora, são mais de 100 squads em funcionamento” (Extraído de matéria publicada no Correio Braziliente. Clique no link abaixo para ler a matéria completa).

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2019/07/29/internas_economia,788500/empresas-da-velha-economia-imitam-as-startups.shtml

 

Bem, é isso ai, até a próxima!

 


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